Rubio defende política externa dos EUA e cita Brasil como exceção na América Latina
Rubio defende política externa e cita Brasil como exceção

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, defendeu nesta terça-feira (2) a política externa do governo americano, executada pelo Departamento de Estado, e citou como exemplo uma onda de "coalizão de países amigos" na América Latina. No entanto, ele colocou o Brasil na lista de exceções de aliados na região.

"É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos", afirmou Rubio durante coletiva de imprensa na Casa Branca.

Negociações com o Irã

Rubio negou que as negociações de paz com o Irã tenham sido interrompidas, após Teerã afirmar ter cortado as conversas em retaliação a ataques de Israel no Líbano. Em uma sabatina no Congresso dos EUA, Rubio afirmou ainda que o governo iraniano concordou em discutir aspectos de seu programa nuclear, o grande ponto de discordância entre os dois lados.

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"As conversas continuam", disse Rubio a deputados na sessão, a primeira do secretário de Estado no Congresso norte-americano desde o início da guerra no Oriente Médio. Nesta terça, no entanto, fontes do governo iraniano disseram à agência de notícias Fars News que negociadores iranianos e norte-americanos não se falam "há dias".

O rompimento iraniano é uma reação a ataques que Israel tem feito em território libanês nos últimos dias, comprometendo o já frágil cessar-fogo em vigor entre Washington e Teerã. O cessar-fogo e a busca por um acordo definitivo devem ser um dos principais questionamentos dos deputados e senadores a Rubio ao longo do dia. A audiência do secretário de Estado seguia em andamento até a última atualização desta reportagem. Rubio, que é ex-senador republicano, também participará de outra audiência no Senado na quarta-feira (3).

Críticas à guerra

Embora esta seja a primeira vez que Rubio depõe perante o Congresso desde o início da guerra, Marco Rubio já havia participado de uma reunião sigilosa com parlamentares poucos dias após os primeiros ataques dos Estados Unidos e de Israel. Na ocasião, enfrentou críticas de democratas pela falta de autorização prévia do Congresso para a operação, mas recebeu forte apoio da maioria dos republicanos.

Nos dois meses desde o início do conflito, porém, um grupo pequeno, mas crescente, de republicanos passou a se unir aos democratas para questionar o custo bilionário da guerra e seus impactos econômicos, especialmente às vésperas das eleições legislativas de meio de mandato, previstas para o segundo semestre.

No mês passado, o Senado avançou, pela primeira vez, uma proposta legislativa que obrigaria Trump a retirar os Estados Unidos do conflito. A medida ganhou força após o senador republicano Bill Cassidy, da Louisiana, apoiar a iniciativa dos democratas. A Câmara dos Deputados dos EUA também chegou a programar uma votação sobre uma resolução relacionada aos poderes de guerra do presidente, mas a liderança republicana impediu que a proposta chegasse ao plenário ao perceber que não teria votos suficientes para derrotá-la.

Os episódios evidenciam as dificuldades do Partido Republicano para manter apoio político à condução da guerra por Trump, à medida que parlamentares da base se mostram mais dispostos a contrariar o presidente. Integrantes do governo, incluindo Rubio, têm defendido a decisão de Trump de ter iniciado a guerra contra o Irã, apesar das promessas feitas ao longo dos anos de evitar o envolvimento dos Estados Unidos em "guerras sem fim" no Oriente Médio.

Cuba na mira

Filho de imigrantes cubanos, Rubio também deve ser questionado sobre o endurecimento da política do governo Trump em relação a Cuba. O presidente americano tem sugerido que a ilha poderá se tornar o próximo alvo dos Estados Unidos após o encerramento das operações militares contra o Irã.

Apesar de uma série de reuniões entre autoridades americanas e cubanas, Trump e Rubio voltaram a fazer ameaças ao governo de Cuba, especialmente após a administração anunciar acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou a acusação como uma manobra política destinada apenas a "justificar a loucura de uma agressão militar contra Cuba".

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Ao longo de sua carreira política e agora como principal diplomata dos Estados Unidos, Rubio tem sustentado que Cuba representa uma ameaça à segurança nacional americana devido aos seus vínculos com adversários de Washington e afirma que Trump está determinado a enfrentar essa questão.