Um protesto de moradores obrigou, neste domingo (28), um grupo de militares a pegar picaretas e pás e participar da remoção dos escombros de um edifício desabado, quatro dias após os terremotos na Venezuela que já causaram quase 1.500 mortes.
Indignação contra a inação militar
"O país precisa de vocês. Baixe sua arma, largue as balas", gritou, indignado, um homem a um militar na região de Tanaguarena, no estado de La Guaira, epicentro da tragédia, constataram jornalistas da AFP. Dezenas de pessoas que trabalhavam nas operações de resgate confrontaram um grupo de cerca de 20 militares que estava no local apenas fazendo a segurança.
Alexander Mijares, um comerciante de 26 anos que havia ido como voluntário ajudar na busca por uma amiga soterrada, explicou à AFP a razão de sua explosão de indignação. "Eles ficaram encostados em uma parede quando nós tínhamos que retirar uma pessoa que estava morta, e eles estavam tranquilamente parados em um canto", relatou.
Questionamentos sobre o papel dos militares
"Por que não os trouxeram com macacões de trabalho? Por que não os trouxeram com pás e picaretas? Por que os trouxeram com fuzis e armas? Onde está a guerra?", protestou Mijares. "Eles existem para defender um país", acrescentou. Ao seu lado, um grupo de pessoas também gritava contra os militares. "Meus filhos não vão ser jogados em uma vala comum", reclamou outro homem, exasperado com a demora no resgate dos corpos.
Militares cedem à pressão popular
Diante do protesto, os militares pegaram as ferramentas e começaram a remover os escombros. Os militares têm sido um setor privilegiado durante os governos de Hugo Chávez (1999–2013) e de seu sucessor, Nicolás Maduro. Pilar do poder na Venezuela, as Forças Armadas também são vistas como um instrumento de repressão.



