Sobrevivente relembra profecia do namorado sobre Titanic antes de naufrágio do Costa Concordia
Profecia do namorado antes do naufrágio do Costa Concordia

Na noite de 13 de janeiro de 2012, Stefania Vincenzi, de 17 anos, estava no convés do transatlântico Costa Concordia com o namorado, Andrea. Eles haviam embarcado para celebrar os 50 anos da mãe de Stefania, Maria. O navio se aproximava da Ilha de Giglio, na costa da Toscana, Itália. Em um momento romântico, sob um céu estrelado, Andrea fez uma observação que se tornaria uma profecia sombria.

O presságio do Titanic

"Ao abrir a porta, senti uma brisa fresca", contou Stefania em um documentário da Netflix. "Tudo estava escuro, mas iluminado pelas luzes cintilantes do navio. Os reflexos brilhavam na água. Inclinei-me para observar o mar e Andrea, que estava atrás de mim, abraçou-me." Foi então que Andrea comentou: "Parece o Titanic." A lembrança da tragédia não caiu bem. "Naquele momento, senti algo estranho. Mas é loucura, não é? Então, a gente simplesmente deixa esse pensamento de lado", recordou a italiana.

O choque e o pânico

Minutos depois, a profecia se concretizou. O navio colidiu com uma rocha e começou a inundar rapidamente. As luzes se apagaram, e todos a bordo tiveram que correr desesperadamente para os botes salva-vidas na escuridão total, enquanto o transatlântico adernava drasticamente. Em meio ao pânico, o capitão Francesco Schettino abandonou o navio, deixando passageiros e tripulantes à deriva. Das aproximadamente 4.200 pessoas a bordo, 32 perderam a vida. Schettino foi condenado por homicídio culposo e cumpre pena de 16 anos de prisão.

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A perda da mãe

Maria, mãe de Stefania, estava jantando no salão com uma amiga. "O navio estava inclinado e minha mãe começou a ter dificuldade com os sapatos de salto. Ela segurou minha mão com muita força e disse: 'Não me solte'", relatou Stefania. Na correria, Stefania perdeu o contato com a mãe. "Assim que entrei num bote, liguei para minha mãe e perguntei: 'Onde você está?' Ela me disse que também estava prestes a embarcar num bote." Maria nunca entrou em um bote. Stefania chegou em segurança à Ilha de Giglio com o namorado. "A primeira coisa que fiz foi ligar para minha mãe, mas o telefone já não chamava. Mas ela tinha dito que estava em um bote salva-vidas, então ela tinha que estar ali, em algum lugar." Stefania nunca mais a viu. "Tive que esperar dois anos. O corpo da minha mãe foi um dos últimos a ser encontrado. Encontrar o corpo dela não me trouxe nenhum conforto. Ela era todo o meu mundo, e eu era o dela. Desde que eu era bem pequena, fazíamos tudo juntas. Eu tinha cerca de 7 anos quando ela foi diagnosticada com câncer. Mas, alguns meses antes de partirmos para o cruzeiro, o câncer dela estava em remissão. Então, esse era, sem dúvida, mais um grande motivo para comemorar o aniversário dela", desabafou.

A vida após a tragédia

Stefania seguiu em frente e chegou a disputar a final do Miss Itália em 2013, mas foi eliminada na fase inicial. No entanto, as marcas daquela noite trágica nunca serão apagadas. "A dor da perda é algo que carrego comigo todos os dias", concluiu.

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