O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, recusa-se a reconhecer a vitória do opositor de direita Abelardo de la Espriella sobre seu candidato, Iván Cepeda, nas eleições presidenciais. A posição de Petro contraria a avaliação de observadores estrangeiros e das próprias instituições colombianas responsáveis pelo processo eleitoral, que atestaram a lisura do pleito.
Golpismo não é exclusividade da direita
A atitude de Petro comprova que a tentação golpista nas democracias das Américas não se restringe à direita trumpista ou bolsonarista. A esquerda, que frequentemente se apresenta como defensora da democracia contra o autoritarismo de direita, também age para deslegitimar resultados eleitorais desfavoráveis. Esse comportamento, seja de esquerda ou de direita, é inaceitável e merece repúdio das democracias genuínas da região.
Silêncio do Brasil e escalada retórica
O Brasil, que participou da "4.ª Cúpula em Defesa da Democracia" em Barcelona ao lado de Petro, mantém silêncio sobre a crise colombiana. Enquanto isso, Petro intensifica a retórica contra a vitória de Espriella. O presidente sugere que não comparecerá à posse do sucessor, marcada para 7 de agosto, data que ele classifica como "trágica".
Mobilização no feriado de independência
Petro convocou uma "mobilização geral" para o feriado de independência da Colômbia, em 20 de julho, quando pretende antecipar seu discurso de despedida. Já Cepeda, que inicialmente reconheceu a derrota, agora prega a "desobediência civil". Ambos alimentam a narrativa de fraude eleitoral para incitar a população contra Espriella.
Cidadania norte-americana de Espriella é questionada
Petro e Cepeda questionam a lealdade de Espriella à Constituição colombiana, argumentando que ele possui cidadania norte-americana. Espriella, por sua vez, acusou Petro de fomentar um golpe e suspendeu o processo de transição governamental.
Riscos para a estabilidade colombiana
A crise política ocorre em um momento delicado para a Colômbia, que elegeu Espriella por margem estreita na esperança de conter a escalada da violência. O país tem um passado recente marcado por guerra civil e atuação de grupos narcotraficantes e paramilitares. A recusa de Petro em aceitar o resultado eleitoral e a convocação de protestos elevam a tensão e colocam em risco a transição pacífica.



