O presidente da Argentina, Javier Milei, visitará o Brasil no dia 25 de julho para apoiar o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A agenda inclui passagens por São Paulo e Brasília, onde o mandatário pretende cumprimentar o ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar. Contudo, a visita a Bolsonaro depende de autorização judicial do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que apenas familiares, advogados e profissionais de saúde estão autorizados a vê-lo.
Anúncio e contexto da visita
O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira, 10, durante entrevista de Milei à rádio argentina Now 97.9 FM. A viagem faz parte de um roteiro mais amplo pela América Latina. No dia seguinte, Milei estará na Exposição Rural, em Buenos Aires. Em 28 de julho, participará da posse presidencial de Keiko Fujimori, no Peru. Já em 7 de agosto, irá à Colômbia para a posse de Abelardo de la Espriella e também se reunirá com o presidente do Equador, Daniel Noboa.
Mudança de postura de Milei na região
A visita marca uma mudança na postura de Milei em relação à América Latina. Segundo levantamento do jornal argentino La Nacion, desde que assumiu o cargo, Milei viajou pouco para países vizinhos: visitou Brasil e Paraguai três vezes cada, Chile duas vezes e Bolívia uma vez. Em contraste, os Estados Unidos foram seu destino mais frequente, com 16 viagens. O cenário mudou após as recentes vitórias eleitorais de Keiko Fujimori no Peru e Abelardo de la Espriella na Colômbia, que reforçaram a aposta de Milei na formação de um bloco de direita na América Latina. O presidente argentino já havia comemorado publicamente a ascensão de José Antonio Kast no Chile e de Rodrigo Paz na Bolívia, além da prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.
Encontro anterior entre Flávio e Milei
Não será o primeiro encontro entre Flávio Bolsonaro e Javier Milei. Em 29 de junho, o senador esteve em Buenos Aires e se reuniu pessoalmente com o presidente argentino. Na ocasião, Milei publicou uma foto ao lado de Flávio e afirmou que “vem aí a maré azul para o Brasil” — expressão usada pela direita para descrever o avanço de pautas conservadoras na região. Flávio, que discursara no dia anterior na abertura da conferência mencionando as recentes vitórias da direita no Peru e na Colômbia, respondeu à publicação agradecendo “todo carinho e consideração” e classificando o presidente argentino como “exemplo para o mundo”.
Implicações políticas
A visita de Milei ocorre em um momento de fortalecimento da direita na América Latina, com vitórias eleitorais em vários países. A presença do presidente argentino no Brasil, especialmente em apoio a Flávio Bolsonaro, pode ter impactos na corrida eleitoral brasileira. No entanto, a possibilidade de encontrar Jair Bolsonaro ainda depende de decisão judicial, o que adiciona um elemento de incerteza ao evento.



