Lula critica Marco Rubio e vê hostilidade dos EUA contra Brasil
Lula critica Marco Rubio e vê hostilidade dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ao comentar a nova investigação comercial americana que pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em discurso nesta terça-feira (2), o petista afirmou que o principal diplomata do governo Donald Trump mantém posições hostis em relação ao Brasil e à América Latina.

A declaração foi feita durante evento em Catalão (GO), em meio à repercussão do relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou uma série de práticas brasileiras supostamente prejudiciais ao comércio americano e recomendou novas sanções comerciais.

“Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele não gosta do Brasil. Ele não estava na reunião”, afirmou Lula.

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As críticas ocorrem em um momento de crescente protagonismo de Rubio na relação entre Washington e Brasília. Nos últimos dias, o secretário de Estado esteve no centro de episódios que aumentaram o atrito entre os dois países, desde a aproximação com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro até a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.

Brasil fora da lista de aliados

Horas antes da fala de Lula, Rubio havia citado o Brasil de forma pouco usual durante uma audiência no Congresso americano. Ao defender a política externa da administração Trump, o secretário afirmou que os Estados Unidos vivem um momento de aproximação com diversos países da América Latina. Ao listar os governos considerados mais alinhados a Washington, porém, deixou o Brasil fora do grupo.

“É fantástico que, tirando Nicarágua, Cuba, Venezuela e, claro, Brasil, embora esteja no meio de um ciclo eleitoral, e, em alguma extensão a Colômbia, temos uma região cheia de aliados e amigos dos Estados Unidos”, declarou.

A menção chamou atenção por ocorrer justamente quando os dois países enfrentam uma das maiores disputas comerciais dos últimos anos.

Relação com o bolsonarismo

Na semana passada, o secretário de Estado recebeu nos Estados Unidos o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro ocorreu poucos dias antes da divulgação do relatório comercial contra o Brasil.

Segundo Flávio, um dos temas discutidos foi a possibilidade de Washington classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Dois dias depois da reunião, o Departamento de Estado anunciou oficialmente a medida.

Em comunicado divulgado na ocasião, Rubio afirmou que as duas facções figuram entre as organizações criminosas mais violentas do Brasil e representam ameaça além das fronteiras do país.

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