O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou, nesta quarta-feira (3), que participará da reunião da Cúpula do G7, marcada para junho na França, com o objetivo de "colocar ordem na casa" após a ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra outros países.
Decisão de última hora
"Eu nem ia no G7, mas agora eu vou. Porque é preciso que alguém tente colocar ordem na casa e dar um paradeiro nessa coisa que está acontecendo, de desmonte do multilateralismo, desmonte da democracia e desvalorização das instituições", disse Lula durante reunião ministerial no Palácio do Planalto.
O presidente brasileiro também destacou que "se a ONU não está funcionando hoje" não será destruindo-a que será possível "consertar o mundo". Para Lula, é essencial que novos países sejam considerados membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, o que poderia tornar a organização mais eficaz diante da crescente onda de conflitos internacionais.
Críticas ao Conselho de Segurança
"Hoje nós somos quase 200 países, mas nós não apitamos nada, só fazemos discursos, quem decide são só cinco membros, e está na hora de fazê-los assumir a responsabilidade para melhorar a vida do planeta Terra", concluiu o presidente.
Resposta às tarifas americanas
Sem citar diretamente Trump, a fala de Lula ocorre após um órgão do governo americano divulgar um documento sugerindo mais uma imposição de tarifas aos produtos brasileiros e de outros países, em uma nova onda do "tarifaço". O presidente brasileiro reforçou que, diante da possível tarifa, o governo pretende procurar novos parceiros econômicos, se necessário, e que o Brasil não aceitará mais o "tratamento" dado pelo presidente norte-americano.
"O importante é vocês saberem que estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira e até a sociedade mundial reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país", destacou. "A nossa luta é para que esse país não seja tratado como uma republiqueta insignificante. Nós somos grandes, temos história e não aceitaremos o tratamento que os EUA deram ao Brasil nesta semana", enfatizou.
Busca por novos parceiros
O presidente brasileiro também afirmou que enviará mais uma carta a Trump e escreverá "quantos artigos precisar escrever na imprensa americana e mundial" para mostrar que os EUA estão errados. Ao mencionar o possível novo tarifaço de 25% contra o Brasil, Lula foi categórico: "Não vamos chorar; procuraremos novos parceiros". Ele destacou que o país "venderá para quem deseja comprar" caso o mercado americano se feche pelas tarifas.
A declaração ocorre em meio a tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, com o governo brasileiro sinalizando que não se submeterá a pressões unilaterais e buscará diversificar seus mercados de exportação.



