Com 100% das urnas apuradas, a candidata de direita Keiko Fujimori alcançou 50,135% dos votos no segundo turno das eleições presidenciais do Peru, tornando-se a virtual presidente eleita do país, segundo a Oficina Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). O resultado ainda precisa ser oficializado pelo Jurado Nacional Eleitoral (JNE), o que deve ocorrer até sexta-feira (3).
Vantagem apertada e reação internacional
A diferença entre Fujimori e o adversário de esquerda, deputado Roberto Sánchez, foi de apenas 49.641 votos. Fujimori obteve 9.223.396 votos contra 9.137.755 de Sánchez. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, parabenizou Fujimori e afirmou que o governo Trump espera aprofundar a cooperação em segurança, investimentos e comércio.
"O governo Trump espera aprofundar a colaboração com o governo Fujimori para impulsionar a cooperação em segurança e fortalecer a cooperação bilateral em investimentos e comércio em nossa região", disse Rubio em comunicado.
Discurso de união e contestação
Ao alcançar vantagem irreversível, Fujimori fez um discurso como vencedora de fato, mas sem reivindicar a vitória formalmente. "Estamos cientes de que o Peru está dividido, de que está praticamente partido ao meio", declarou a repórteres em Lima, prometendo unir o país.
Por outro lado, Sánchez indicou que não aceitará o resultado e recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) caso o JNE proclame a vitória de Fujimori. Especialistas em direito eleitoral ouvidos pelo jornal El Comercio afirmam que o pedido de Sánchez não tem fundamento jurídico e serve apenas para atrasar a oficialização.
Contexto de instabilidade política
Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, substituirá o presidente interino José María Balcázar Zelada, de esquerda, que assumiu o cargo há quatro meses. Zelada substituiu José Jeri, que também ficou apenas quatro meses e foi destituído por má conduta após reuniões não divulgadas com empresários chineses. Antes, Dina Boluarte foi destituída por corrupção, e Pedro Castillo foi preso após dissolver o Congresso. Nos últimos oito anos, o Peru teve oito presidentes.
"A ONPE chegou a 100% das atas apuradas. Todas as observações por parte dos JEE já foram resolvidas. Aguardamos a proclamação do JNE com muita humildade, prudência e responsabilidade. Cada vez estamos mais perto de iniciar um caminho de ordem e esperança para todos os peruanos", postou Fujimori no X.



