A taxa de inadimplência na Argentina subiu para 5,2% em junho, o maior nível em dois anos, conforme dados do Banco Central divulgados nesta terça-feira. O aumento pressiona o impulso de crescimento econômico que o país vinha registrando nos últimos meses, impulsionado por uma safra recorde e pelo consumo interno.
O avanço da inadimplência
Segundo o relatório do Banco Central, o total de empréstimos em atraso há mais de 90 dias atingiu 12,3 bilhões de pesos, um aumento de 1,2 ponto percentual em relação a maio. O crédito ao consumo, especialmente cartões de crédito, responde por 60% dos calotes. O Ministro da Economia, Luis Caputo, afirmou que o governo está monitorando a situação de perto: 'Estamos cientes do aumento da inadimplência, mas ele é temporário e será compensado pelo crescimento do PIB previsto para 2026.'
Impacto no crescimento
A economia argentina cresceu 1,8% no primeiro trimestre, impulsionada pela agroindústria e pelo comércio. No entanto, analistas do FMI alertam que a inadimplência pode reduzir a confiança dos consumidores e levar a uma contração do crédito, travando a recuperação. A consultoria Ecolatina projeta que o crescimento anual cairá para 1,5%, abaixo da meta de 2,5% estabelecida pelo governo.
Medidas do governo
Para conter o avanço dos calotes, o Banco Central elevou o compulsório para operações de crédito pessoal e reduziu os prazos máximos para financiamento. Além disso, o governo anunciou um programa de renegociação de dívidas para pequenos devedores. 'Vamos oferecer prazos alongados e juros reduzidos para evitar que as famílias entrem em default', disse Caputo em entrevista coletiva.
Reação dos mercados
Os mercados financeiros reagiram negativamente: o índice Merval caiu 2,3% nesta segunda-feira, e o risco-país subiu 15 pontos, para 1.240 pontos. O economista-chefe da consultoria ACM, Miguel Kiguel, afirmou que 'a inadimplência é um sinal de que a recuperação ainda é frágil e que o governo precisa agir rapidamente para evitar uma crise de crédito'.
Especialistas destacam que a inflação, embora em desaceleração (6,2% em junho, a menor desde 2024), ainda corrói o poder de compra das famílias, dificultando o pagamento de dívidas. A expectativa é que a inadimplência atinja o pico em agosto antes de começar a cair, com a entrada de recursos da colheita de soja e milho.



