Abelardo de la Espriella, que venceu a eleição presidencial na Colômbia em apuração preliminar no domingo (21), admite ser um sibarita. O dândi caribenho aprecia boa gastronomia, passa temporadas em Florença e Miami, vende vinhos toscanos e gravatas italianas, usa relógios de luxo e dirige carros potentes. "Eu o conheço e ele não vive de forma modesta; tem um padrão de vida que exige muitos recursos", diz o jornalista Ángel Becassino, que investigou sua biografia.
Origens e primeiros negócios
De la Espriella tem três nacionalidades: colombiana, americana e italiana. Nasceu em Bogotá, mas foi criado em Montería, Córdoba. "Ele vem de uma família de certo status, de classe média um pouco mais alta", afirma Becassino. Desde pequeno, demonstrou aptidão para negócios: alugava videogame e vendia mantimentos. Mais tarde, em Bogotá, vendeu roupas, uísque e esmeraldas nos EUA, segundo o jornalista Gerardo Reyes.
Advocacia e clientes polêmicos
No início dos anos 2000, De la Espriella encontrou sua galinha dos ovos de ouro: o processo de paz com as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), grupo paramilitar de extrema direita. Ele defendeu paramilitares presos, cobrando honorários elevados. "O próprio De la Espriella me descreveu essa condição como a ideal para um advogado", relata Becassino.
Entre seus clientes estão David Murcia Guzmán, fundador da DMG, que o acusou de se apropriar indevidamente de 5 bilhões de pesos colombianos (US$ 1,4 milhão) e de pedir outros 760 milhões de pesos (US$ 217 mil) para subornar congressistas. De la Espriella processou Murcia por injúria. Também representou Álex Saab, suposto testa de ferro de Nicolás Maduro, de quem se desvinculou em 2019.
Império empresarial sob suspeita
De la Espriella criou uma "coleção de empresas", segundo Becassino. Seu escritório De la Espriella Lawyers é a joia da coroa. Ele também comercializa alimentos, bebidas e roupas pela De la Espriella Style e produz vinhos e rums pela Dominio De la Espriella. O veículo La Silla Vacía rastreou 35 empresas na Colômbia, Panamá e EUA até dezembro de 2025.
Jineth Prieto, jornalista do La Silla Vacía, afirma que muitas dessas empresas dão prejuízo ou acumulam dívidas. A equipe estimou o patrimônio de De la Espriella na Colômbia em cerca de 19 bilhões de pesos colombianos (US$ 5,43 milhões). "Com esse patrimônio, De la Espriella estaria entre os 1% mais ricos nos Estados Unidos, mas também não seria o candidato com mais dinheiro a disputar uma eleição na Colômbia", disse Prieto à BBC Mundo.
Reações internacionais
Em 17 de junho, 11 congressistas democratas dos EUA enviaram carta pedindo ao Departamento de Estado, Justiça e Tesouro que investiguem a origem dos fundos de De la Espriella nos EUA. Eles também manifestaram preocupação com o apoio do presidente Donald Trump à sua candidatura.
De la Espriella sempre afirmou que sua fortuna vem de trabalho duro. "Não parei de produzir um único dia", disse em vídeo de 2024. Sua campanha considerou as perguntas do La Silla Vacía "capciosas e tendenciosas" e se recusou a respondê-las.



