Flávio Bolsonaro pede adiamento de tarifa dos EUA e Lula reage com críticas
Flávio Bolsonaro pede adiamento de tarifa dos EUA; Lula reage

Aliados de Flávio Bolsonaro criticam carta enviada aos EUA

Aliados do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) não aprovaram a carta que ele enviou aos Estados Unidos pedindo o adiamento da decisão sobre novas tarifas contra exportações brasileiras. Na avaliação deles, o documento fala mais para convertidos, desagrada eleitores independentes e dá munição para o presidente Lula acusar o senador de 'entreguista'. Os aliados admitem reservadamente que terão de atuar para amenizar o desgaste da proximidade de Flávio com o presidente dos EUA, Donald Trump.

Flávio pede adiamento para não ajudar Lula politicamente

Na carta ao Escritório de Comércio dos EUA, Flávio Bolsonaro argumenta que aplicar novas tarifas agora beneficiaria politicamente o presidente Lula. No entanto, o tom da carta sugere que, se Flávio vencer a eleição, fará um acordo favorável aos Estados Unidos. Essa postura gerou desconforto entre seus aliados, que temem que o episódio seja explorado na campanha eleitoral.

Lula reage e classifica carta de 'subserviente' e 'entreguista'

Nesta quinta-feira (2), Lula reagiu imediatamente à carta de seu principal adversário. O presidente classificou o documento como 'subserviente' aos interesses de Trump e 'entreguista'. 'É inaceitável que a família Bolsonaro, com o seu entreguismo, queira submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos', disse Lula, acrescentando que 'pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria'. O presidente afirmou ainda que 'nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois'.

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Governo critica outros pontos da carta

A equipe presidencial também reclamou de outros dois pontos da carta. Primeiro, quando Flávio diz que o governo Lula não quer negociar, sendo que a equipe presidencial tem feito negociações desde o tarifaço inicial de Trump. Segundo, ao tentar relacionar o escândalo do Banco Master ao governo Lula, omitindo que ele pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo considera que esses pontos fogem ao tema das negociações comerciais.

Impacto na campanha eleitoral

O tom da resposta de Lula mostra que o tema será usado na campanha presidencial em nome da defesa da soberania nacional. Para Lula, a carta de Flávio coloca na mesa de negociação o Pix ao propor redução de tributos para operadoras de cartão de crédito. A oposição, por sua vez, terá que administrar o desgaste gerado pela proximidade de Flávio com Trump e a percepção de submissão aos interesses americanos.

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