O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou uma ofensiva política no Ceará com o objetivo de fortalecer o Partido Liberal (PL) no estado e conter o avanço de Michelle Bolsonaro, que tem ampliado sua influência na região. A movimentação ocorre em meio a um desgaste entre o senador e a ex-primeira-dama, que disputam o controle do partido e o legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Articulação no Ceará
Flávio desembarcou em Fortaleza na última quinta-feira (9) e cumpriu agenda com prefeitos, vereadores e lideranças locais. O senador participou de reuniões fechadas na sede do PL cearense e discutiu estratégias para as eleições de 2026. Segundo assessores, o objetivo é consolidar o partido como principal força de direita no estado, onde o PT tem forte presença.
“O Ceará é estratégico para o PL. Precisamos de uma base sólida para disputar o governo do estado e ampliar nossas bancadas na Câmara e na Assembleia”, afirmou Flávio durante encontro com filiados. O senador também criticou indiretamente a atuação de Michelle, que nos últimos meses visitou o estado diversas vezes e se reuniu com lideranças evangélicas e políticas.
Desgaste com Michelle
O relacionamento entre Flávio e Michelle tornou-se tenso nos últimos meses. A ex-primeira-dama tem buscado maior protagonismo no PL e articulado alianças com setores conservadores, o que colide com os planos de Flávio, que quer manter o controle do partido. Em junho, Michelle participou de um evento em Juazeiro do Norte sem consultar a cúpula do PL local, o que gerou mal-estar.
Fontes do partido afirmam que Flávio vê a atuação de Michelle como uma ameaça à sua liderança. “Ela está construindo uma base paralela, o que enfraquece o partido”, disse um dirigente sob anonimato. O senador, por sua vez, nega conflito e diz que a união é necessária para derrotar a esquerda em 2026.
Impacto nas eleições de 2026
A disputa interna no PL pode impactar as eleições de 2026 no Ceará. O partido tenta viabilizar uma candidatura própria ao governo, mas precisa unificar as forças. Pesquisas internas mostram que o PL tem entre 15% e 20% das intenções de voto, atrás do PT e do PDT. A divisão entre Flávio e Michelle pode inviabilizar a candidatura e abrir espaço para outras legendas.
“Se não houver unidade, o PL corre o risco de repetir o desempenho de 2022, quando não foi competitivo”, avaliou o cientista político Carlos Melo, da Universidade de São Paulo. Ele destaca que a influência de Bolsonaro continua forte no eleitorado conservador cearense, mas a fragmentação interna pode reduzir o potencial de crescimento.
Próximos passos
Flávio deve retornar ao Ceará nas próximas semanas para acompanhar a filiação de novos membros e definir alianças municipais. Enquanto isso, Michelle mantém agenda própria e deve visitar o interior do estado ainda em julho. A expectativa é que o desgaste entre os dois seja administrado até o início oficial da campanha, em 2026.



