250 anos de independência: EUA resistem a Trump e mostram força institucional
EUA completam 250 anos de independência com instituições sólidas

Os Estados Unidos completam hoje 250 anos de independência. Como em várias ocasiões ao longo desse período, muitos se apressam hoje a vaticinar sua decadência, sobretudo em razão da presidência errática e irresponsável de Donald Trump, que em vários aspectos afronta os valores fundadores da República americana, a mais antiga da história contemporânea. Trata-se de precipitação. Malgrado as aparências, as instituições americanas são tão sólidas que resistem até mesmo a um niilista como Trump. Eis o exemplo dos Estados Unidos para o mundo: só a autêntica liberdade, valor central do experimento americano, é capaz de construir a couraça que protege a democracia daqueles que gostariam de destruí-la.

O valor central da liberdade na fundação dos EUA

Foi esse valor que presidiu os debates que resultaram na Constituição americana. É esse acervo de ideias livremente confrontadas que forma o caldo primordial do experimento americano – algo radicalmente novo para o panorama político da época, dominado por reis e nobres com direitos hereditários. A ideia de uma sociedade profundamente igualitária, onde o poder político seria exercido por cidadãos eleitos pelos seus iguais, era algo sem paralelo na história humana, a não ser que voltemos alguns milênios, para a Antiguidade grega. Sem dúvida, a democracia americana nasceu imperfeita, pois apenas uma minoria detinha o direito de eleger e de ser eleito, sendo esse direito estendido somente com muita luta ao longo dos anos. E essa talvez seja a característica mais notável desse experimento: a capacidade de mudar preservando a sua essência.

Estabilidade institucional versus revoluções

O mais comum na história humana é a revolução e a ruptura. A Revolução Francesa, por exemplo, inspirada pelos mesmos ideais que moveram a Revolução Americana, não foi capaz de estabilizar o sistema político francês. E assim é a história da maioria das nações, presas que são das veleidades e ambições dos governantes. O que chama a atenção no experimento americano é a permanência das instituições.

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O aspecto mais simbólico dessa permanência é a sucessão de presidentes regularmente eleitos desde 1789. Quando um presidente falta, o vice-presidente assume de acordo com a lei. Não há jeitinhos ou acordos de conveniência. As mudanças de regras são muito raras. Há uma reverência pelas tradições que construíram a nação.

Democracia: significado e exceção

Democracia se tornou uma palavra gasta pelo uso. Não custa lembrar que as ditaduras socialistas comumente se autodenominam “democracias”, pois, em tese, é o povo que está no comando, por meio da “vanguarda do proletariado”. Na prática, no entanto, esse mesmo povo só tem o direito de concordar com os regimes revolucionários, sendo submetido a uma feroz censura e a policiamento político. Na democracia americana, a liberdade de expressão e de associação são sagradas, e são elementos constitutivos do sistema político. Pode parecer natural, mas, a julgar pelo pequeno número de verdadeiras democracias no mundo, trata-se de exceção, não de regra. O experimento americano continua soando como uma novidade na história humana.

Desenvolvimento econômico e estabilidade

O incrível desenvolvimento econômico alcançado pelos Estados Unidos nesses 250 anos foi fruto, em grande parte, dessa estabilidade institucional. Outros arranjos políticos podem fomentar o crescimento econômico por algum tempo – a União Soviética, por exemplo, chegou a ser uma potência econômica –, mas somente os Estados Unidos passaram pelo teste do tempo. O seu sistema político, que une flexibilidade e estabilidade, conseguiu produzir prosperidade e conhecimento sem paralelo na história humana. Não é coincidência que a fronteira tecnológica esteja sendo desenhada, neste momento, por empresas americanas. Tem sido assim nos últimos cem anos, pelo menos.

Ironia do momento: Trump e a força do experimento

Não deixa de ser uma ironia que os americanos estejam comemorando os 250 anos de sua independência sob um presidente tão corrupto e inconsequente como Donald Trump, que desafia abertamente os limites institucionais. Mas talvez essa seja precisamente a demonstração cabal da força do experimento americano, que consegue sobreviver apesar, e não por causa, dos seus presidentes.

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