Abelardo de la Espriella vence na Colômbia; Lula aposta em relação pragmática
Espriella vence na Colômbia; Lula aposta em pragmatismo

O candidato de direita Abelardo de la Espriella foi declarado presidente eleito da Colômbia na última quinta-feira (25), em apuração preliminar. Diplomatas brasileiros apostam em uma relação pragmática entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o novo mandatário colombiano.

Lula parabeniza e Espriella responde

Em publicação nas redes sociais, Lula parabenizou o povo colombiano pela eleição, destacou o "processo democrático e soberano" e afirmou que a relação entre Brasil e Colômbia é "fundamental para a superação de desafios comuns". Horas depois, Espriella respondeu ao petista e escreveu que pretende manter uma relação de cooperação com o Brasil. "A Colômbia, em liberdade e ordem, sob meu mandato, buscará um único objetivo: cumprir a aliança com o povo que, como afirmei durante a campanha, não é de ideologias, mas de extrema coerência, e isso inclui nossos vizinhos do Brasil, liderados por seu presidente, Lula", afirmou.

Relação construtiva independente de ideologia

O governo brasileiro avalia que a relação entre os dois países deve seguir construtiva e não dependerá de alinhamento ideológico. Para interlocutores da área internacional do governo Lula, a Colômbia, assim como outros países da América do Sul, deve seguir interessada em se aproximar do Brasil principalmente em áreas como infraestrutura, energia, combate ao crime organizado e monitoramento, prevenção e mitigação de desastres naturais.

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Direita avança na América do Sul

A vitória do candidato de direita na Colômbia reforça a tendência de avanço de forças conservadoras e da extrema-direita na América do Sul – e consequentemente de aproximação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O candidato derrotado foi o governista Iván Cepeda, aliado do presidente Gustavo Petro, um político de esquerda. O resultado deixou Lula como um dos poucos líderes de esquerda das principais economias sul-americanas às vésperas da disputa eleitoral de 2026. Dos 12 países do continente, cinco estão sob governos de esquerda ou centro-esquerda.

Pressão sobre Lula e Escudo das Américas

Auxiliares do presidente Lula afirmam que a nova configuração política da região vai ampliar a influência dos Estados Unidos e aumentar a pressão sobre Lula no tema do combate ao crime organizado. Brasil e Colômbia, sob o governo de Gustavo Petro, foram os únicos que não aderiram ao Escudo das Américas, uma coalizão militar contra os cartéis de drogas. A diplomacia brasileira acredita que, com o novo governo, a Colômbia deve se aliar ao grupo assim que for possível. O Brasil, por sua vez, deve se aproximar mais de países como México, Guiana e Suriname.

A aliança Escudo das Américas reúne cerca de metade dos países da América Latina e do Caribe, a convite de Trump, aproveitando a guinada conservadora da região, liderada por países como Argentina, Chile, El Salvador e Equador. Auxiliares de Lula dizem que o presidente brasileiro não deve adotar uma postura bélica com Espriella e esperam que o colombiano aja da mesma forma. O governo brasileiro espera repetir a postura que tem com outros países em que a direita venceu, como Bolívia e Chile – uma política de boa vizinhança.

Integração regional e Mercosul

Apesar de haver consenso entre os países em temas como comércio e infraestrutura, a mudança no perfil político dos governos vai dificultar articulações de fóruns regionais como a Celac e a Unasul, defendidos por Lula. O Mercosul deve manter sua importância na região. O bloco reúne uma estrutura comercial consolidada, com forte fluxo de mercadorias entre os países membros, além de projetos conjuntos de infraestrutura e logística. Diplomatas avaliam que a integração econômica torna o Mercosul menos influenciado por mudanças de governo.

Os governos sul-americanos de direita propõem maior abertura econômica, ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e em parte da Europa, onde partidos de direita têm adotado discursos mais protecionistas.

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EUA quer aumentar presença na região

Os Estados Unidos desejam ampliar sua presença militar e influência na América Latina. Os EUA também focam em conter o avanço da China e proteger seu comércio. Trump foca em combater a imigração ilegal e o narcotráfico. Para isso, propõe a retomada da política externa do ex-presidente James Monroe (1758-1831): "A América para os Americanos". Com a Doutrina Monroe, os Estados Unidos declararam, em 1823, sua intenção de proteger a região contra o avanço de potências de outros continentes.

Na avaliação de diplomatas brasileiros, o que se vê na prática é que a estratégia pauta para a região uma agenda negativa, sem propostas concretas e sem um projeto de integração de direita para a região. Para interlocutores de Lula, os EUA não fazem movimentos para oferecer investimento nem comércio na América Latina; ao contrário, nos últimos meses, o governo de Donald Trump vem intensificando as ofensivas a países com novas taxações comerciais, inclusive ao Brasil.