Colômbia decide eleição entre esquerda e direita neste domingo
Colômbia: segundo turno entre esquerda e direita neste domingo

A Colômbia realiza neste domingo (31) o segundo turno das eleições presidenciais, em uma disputa polarizada entre esquerda e direita. De um lado, o senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro. Do outro, o advogado de ultradireita Abelardo De la Espriella.

Contexto eleitoral

O vencedor sucederá Gustavo Petro, que está no poder desde 2022. Diferentemente do Brasil, a Constituição colombiana não permite reeleição presidencial. As pesquisas indicam vantagem do candidato de direita Abelardo De la Espriella, com diferença de 3 a 8 pontos percentuais, dependendo do levantamento.

Quem é Iván Cepeda

Senador e filósofo de 63 anos, Iván Cepeda integra o partido Pacto Histórico e representa a esquerda colombiana. Defende a continuidade das políticas do governo Petro. Ficou conhecido por mediar as negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), acordo assinado em 2016. Apesar do desarmamento das Farc, grupos dissidentes continuam ativos e são responsabilizados pela violência no país.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Cepeda também foi pivô de um processo judicial que levou à prisão do ex-presidente Álvaro Uribe. Em 2012, Uribe acusou o esquerdista de conspirar para ligá-lo a paramilitares. Em 2018, a Justiça concluiu que Cepeda agiu dentro de sua função parlamentar e que Uribe tentou influenciar testemunhas. Em 2025, o Tribunal Superior de Bogotá absolveu Uribe das acusações de suborno e fraude processual.

Como candidato, Cepeda defende o diálogo para encerrar o conflito armado com guerrilhas, aumento do salário mínimo, redução de benefícios para congressistas e reforma agrária.

Quem é Abelardo De la Espriella

Advogado de 47 anos, Abelardo De la Espriella lidera o movimento de ultradireita Defensores da Pátria. Admira políticos como Donald Trump e Nayib Bukele, com quem tem certa semelhança física. Ganhou força na reta final da campanha.

Ao contrário de Cepeda, não acredita que o diálogo resolverá o problema das guerrilhas e promete uma ofensiva militar. Dois integrantes de sua campanha foram mortos a tiros em 15 de maio. Ele acusou a inteligência colombiana de participar de um plano para assassiná-lo.

Conhecido como "El Tigre", defende retirar a Colômbia de organismos internacionais como a ONU e a OEA, que, segundo ele, promovem "políticas de esquerda". Mantém um site chamado "De la Espriella Style", onde vende bebidas alcoólicas, livros, músicas e roupas com sua imagem.

Envolveu-se em polêmicas: em entrevista na TV, gabou-se do tamanho do órgão genital, afirmando que isso ajudava a conquistar votos. Também foi questionado por ter defendido Alex Saab, empresário colombiano acusado pelos EUA de atuar como laranja do ditador venezuelano Nicolás Maduro. Saab foi deportado para os Estados Unidos em maio. De la Espriella afirma que a relação profissional com Saab começou antes das acusações e que não trabalham juntos há seis anos.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar