A Colômbia volta às urnas neste domingo (21) para o segundo turno das eleições presidenciais, em uma disputa que opõe o ultradireitista Abelardo de la Espriella, apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e o esquerdista Iván Cepeda, herdeiro político de Gustavo Petro. O resultado pode consolidar a onda de governos de direita na América Latina.
Disputa ideológica e apoio internacional
Em desafio a Petro, Trump entrou em campanha aberta, como tem feito em pleitos da região desde que voltou à Casa Branca, e declarou apoio a Espriella. Candidato da extrema direita, Espriella venceu o primeiro turno e enfrentará Cepeda, visto como a continuidade do governo Petro — a Constituição colombiana proíbe a reeleição, e Petro, que governa desde 2022, deixará o poder.
O páreo é apontado pela imprensa colombiana como o mais antagônico da história recente do país. Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, se apresenta como um 'salvador anti-establishment' e repete promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo. Também é cidadão naturalizado dos EUA, já viveu em Miami e é republicano registrado.
Perfis dos candidatos
Cepeda, filósofo de 63 anos e senador veterano defensor dos direitos humanos, promete dar continuidade ao projeto político de Gustavo Petro. No primeiro turno, ele explorou os avanços sociais do atual governo, fator-chave para alçá-lo como favorito nas primeiras pesquisas de intenção de voto. No entanto, o candidato de Petro também herdou o desgaste da gestão por dificuldades no combate ao crime organizado.
Foi justamente esse ponto que fez Espriella disparar no primeiro turno. Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista promete uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões. “No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella.
Cepeda apostou no caminho contrário: disse que quer continuar as negociações de paz com os grupos armados que lutam contra o Estado há décadas. Na sexta-feira (19), para impulsionar a promessa, o governo da Colômbia divulgou a entrega de armas de cerca de cem guerrilheiros após tratativas com a gestão de Petro.
Violência como tema central
Mas foi o discurso do candidato da extrema direita que mais ecoou no eleitorado no primeiro turno. Pesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia — fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego. Espriella culpa Petro pelos problemas econômicos e de segurança e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.
“A segurança foi a questão central desta campanha, que levou à vitória de De La Espriella no primeiro turno”, disse o analista político Eduardo Pizarro à Reuters. Pizarro afirma que a percepção de insegurança aumentou nas cidades, incluindo preocupações com extorsão e pequenos delitos. Ao mesmo tempo, a expansão de grupos armados em áreas rurais afetou mais civis.
Pesquisas e perspectivas
Cepeda havia liderado as pesquisas de intenção de voto antes do primeiro turno. Por isso, a vitória de Espriella na primeira rodada surpreendeu tanto que Petro chegou a contestar o resultado, posteriormente reconhecido por Cepeda. Para o segundo turno, as principais pesquisas projetam Espriella à frente. Um levantamento do instituto Guarumo / Ecoanalítica para o jornal 'El Tiempo' estima que Espriella tem 52,6% dos votos, ante 45% de Cepeda. O resultado pode ser conhecido ainda neste domingo. Cerca de 40 milhões de eleitores estão aptos a votar.
Impacto na América Latina
Caso De la Espriella vença, a onda que levou outros líderes de extrema direita à vitória na América Latina conquistaria seu maior triunfo até agora, isolando governos de esquerda na região e redesenhando as alianças geopolíticas do continente. O resultado pode respaldar um movimento que tem, entre seus principais representantes, Nayib Bukele, em El Salvador, Javier Milei, na Argentina, e José Antonio Kast, no Chile.



