A baixa popularidade do presidente argentino Javier Milei está levando eleitores a buscarem uma terceira via política, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira (14) pela consultoria Poliarquía. O levantamento aponta que 58% dos argentinos desaprovam a gestão de Milei, enquanto apenas 35% a aprovam. A insatisfação abre espaço para novas alternativas, com 45% dos entrevistados afirmando que votariam em um candidato de centro se as eleições fossem hoje.
Crise econômica e desgaste do governo
A queda na popularidade de Milei é atribuída principalmente à crise econômica que assola o país. A inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 211%, e o poder de compra dos argentinos caiu 15% desde o início do mandato. "As medidas de austeridade estão sufocando a classe média", afirmou o analista político Carlos Fara, da Universidade de Buenos Aires. "O desemprego subiu para 9,8%, e a pobreza já atinge 42% da população."
Busca por alternativas políticas
Diante do cenário, cresce o movimento por uma terceira via. A pesquisa mostra que 38% dos argentinos se identificam como independentes, contra 25% que apoiam o partido de Milei e 20% que preferem a oposição peronista. "Há um vácuo político sendo preenchido por novos nomes", disse a cientista política María Esperanza Casullo. "O eleitor está cansado dos extremos e busca moderados." Entre os possíveis candidatos, o governador de Córdoba, Juan Schiaretti, aparece com 12% das intenções de voto, seguido pela deputada Elisa Carrió, com 9%.
Impacto nas eleições de 2027
Especialistas preveem que a tendência de rejeição a Milei pode se intensificar até as eleições presidenciais de 2027. "Se a economia não melhorar, a terceira via pode se tornar a principal força política", avaliou o estrategista político Sergio Berensztein. A pesquisa também indica que 52% dos argentinos acreditam que o país está no caminho errado, enquanto apenas 30% veem progresso. A oposição, no entanto, ainda está fragmentada: o peronismo não conseguiu unificar um discurso alternativo, e partidos de centro enfrentam desafios de financiamento.
Reações do governo
Em resposta à pesquisa, o porta-voz da Presidência, Manuel Adorni, minimizou os números. "Estamos no início de um processo de transformação. As reformas levam tempo para gerar resultados", declarou. Milei, em seu perfil no X (antigo Twitter), afirmou que "a impopularidade é temporária e necessária para salvar o país". No entanto, a insatisfação popular já se reflete em protestos: no último mês, manifestações contra o governo reuniram mais de 200 mil pessoas em Buenos Aires.



