Um grupo dos principais aliados europeus da Ucrânia está desenvolvendo planos em conjunto com Kiev para envolver a Rússia em negociações que possam pôr fim ao conflito, diante da percepção de que o momento atual fortalece a posição do presidente Volodymyr Zelensky. Autoridades das três maiores economias da Europa — Alemanha, França e Reino Unido — vêm discutindo a possibilidade de realizar conversas com a participação de ambos os lados, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. Elas também trataram do tema com seus interlocutores ucranianos, disseram as fontes, que falaram sob condição de anonimato para relatar conversas privadas.
Oportunidade para negociar
Com as negociações lideradas pelos Estados Unidos paralisadas e as forças russas acumulando perdas em meio ao impasse no campo de batalha, os três países veem uma oportunidade para tentar levar o presidente russo, Vladimir Putin, à mesa de negociações, disseram as fontes. Aumentando a pressão sobre o Kremlin, as forças ucranianas vêm tendo mais sucesso com ataques de drones em profundidade no território russo, e há alguns sinais de resistência à guerra de Putin nos níveis mais altos do poder em Moscou.
Ao negociar agora, os aliados buscariam evitar outro inverno que provavelmente verá a Rússia intensificar os ataques contra civis e contra a infraestrutura de energia, enquanto Putin tenta minar o moral dos ucranianos.
Decisão final cabe a Zelensky
As fontes ressaltaram que qualquer decisão final sobre avançar ou não em tentativas de conversar com a Rússia caberá a Zelensky, e que os países europeus não pressionarão o presidente ucraniano a adotar uma estratégia com a qual ele não concorde. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deve falar com Friedrich Merz, da Alemanha, e Emmanuel Macron, da França, nos próximos dias, disseram as fontes.
Zelensky advertiu que a Ucrânia precisa urgentemente de mais sistemas Patriot e de outras capacidades de defesa aérea, enquanto a Rússia continua bombardeando as cidades do país. No mês passado, ele afirmou que a Europa deveria buscar um papel próprio nos esforços de negociação, que até aqui foram liderados principalmente pelos Estados Unidos. O presidente ucraniano também vem pedindo repetidamente que os aliados aumentem a pressão sobre Moscou.
Críticas à iniciativa
Críticos da ideia de se engajar com a Rússia neste momento, incluindo algumas autoridades dos chamados países do E3, argumentam que ainda não é hora de conversas com Moscou, já que Putin não deu sinais de levar a sério uma negociação e continua sustentando exigências maximalistas, entre elas a de que a Ucrânia ceda territórios que nem sequer estão ocupados.
Segundo essas pessoas, os aliados de Kiev deveriam aproveitar este momento para fornecer a Zelensky as armas de que ele precisa e intensificar ainda mais a pressão sobre o Kremlin, endurecendo e ampliando as sanções. As mesmas fontes acrescentaram que o E3 deveria trabalhar com os Estados Unidos para levar a Rússia à mesa, já que o problema está em Moscou, não em Kiev. Os países europeus não deveriam ser o lado a pedir que Putin converse; deveria ser o contrário, dadas as crescentes dificuldades econômicas da Rússia e o impressionante número mensal de baixas, afirmaram algumas das fontes.
Sinais de divisão interna na Rússia
A Bloomberg informou no início deste mês que altos funcionários do Ministério das Finanças e do banco central da Rússia alertaram Putin de que os gastos com a guerra na Ucrânia estão seguindo uma trajetória financeiramente insustentável — o sinal mais sério de divisão interna em Moscou desde o início da invasão em larga escala. Até agora, porém, os alertas pouco influenciaram o presidente russo, que encarregou autoridades de blindar os gastos com defesa e buscar cortes em outras áreas.



