Surto de ebola no Congo chega a 1.830 casos e 648 mortes
Surto de ebola no Congo: 1.830 casos e 648 mortes

O surto de ebola na República Democrática do Congo (RDC) atingiu 1.830 casos confirmados e 648 mortes até esta quinta-feira, de acordo com o Ministério da Saúde do país. Os dados foram divulgados em boletim epidemiológico e representam um aumento de 12% nos casos e 9% nas mortes em relação ao último balanço, há duas semanas.

Taxa de letalidade preocupa autoridades

A taxa de letalidade do atual surto é de 35,4%, inferior aos 66% registrados no surto de 2014-2016 na África Ocidental, mas ainda considerada alta pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "A letalidade continua elevada, mas a resposta coordenada tem reduzido o número de óbitos entre os pacientes que buscam tratamento precoce", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em comunicado.

Vacinação em massa como estratégia

Desde o início da campanha de vacinação em agosto de 2024, mais de 1,2 milhão de pessoas foram imunizadas com a vacina rVSV-ZEBOV, distribuída em 18 zonas de saúde afetadas. A OMS informou que a cobertura vacinal atingiu 98% nas áreas de maior incidência, mas desafios logísticos persistem em regiões de conflito armado.

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O surto atual, declarado em abril de 2024, é o 15º na história do país. A RDC concentra a maioria dos casos no leste, nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde grupos armados dificultam o acesso das equipes de saúde.

Impacto nos sistemas de saúde

O Ministério da Saúde congolês informou que 234 profissionais de saúde foram infectados, dos quais 78 morreram. A OMS enviou 50 toneladas de equipamentos de proteção individual e medicamentos para apoiar a resposta. "A situação é crítica, mas temos capacidade de conter o vírus se a comunidade internacional mantiver o apoio financeiro e logístico", disse o ministro da Saúde da RDC, Roger Kamba.

O número de casos suspeitos em investigação é de 2.450, com 1.200 amostras aguardando resultados laboratoriais. A OMS estima que o surto possa durar mais seis meses se as medidas de contenção não forem intensificadas.

Resposta internacional e desafios

O Banco Mundial liberou US$ 50 milhões para o fundo de emergência, enquanto a União Europeia doou 3 milhões de euros em suprimentos médicos. No entanto, a OMS alerta que o financiamento atual cobre apenas 40% das necessidades até o final do ano. "Precisamos de mais recursos para evitar que o vírus se espalhe para países vizinhos", destacou Tedros.

Até o momento, não há casos confirmados fora da RDC, mas a vigilância foi reforçada nas fronteiras com Ruanda, Uganda e Burundi. A OMS classifica o risco regional como alto e o risco global como baixo.

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