O conflito entre facções do Cartel de Sinaloa, intensificado após a captura de El Mayo, tem como principais vítimas crianças, adolescentes e jovens, que representam mais de 40% dos mortos na disputa, segundo relatório do Crisis Group divulgado nesta sexta-feira. O governo da presidente Claudia Sheinbaum tenta conter a escalada de violência enquanto responde às pressões de Washington para combater o narcotráfico.
Jovens como alvo principal
O relatório do Crisis Group, intitulado "Juventude Perdida: O Impacto da Guerra do Cartel de Sinaloa", revela que dos 1.200 homicídios registrados nos últimos seis meses em Sinaloa, 480 eram de pessoas entre 12 e 29 anos. "Os jovens são recrutados à força ou atraídos por promessas de dinheiro fácil, e acabam se tornando tanto perpetradores quanto vítimas", afirma o analista sênior do Crisis Group, Juan Carlos Garzón.
Pressão dos EUA e resposta mexicana
O governo mexicano enfrenta cobranças dos Estados Unidos para controlar o tráfico de fentanil, que tem sido associado às facções do Cartel de Sinaloa. Em fevereiro, forças de segurança mexicanas realizaram operações em Culiacán, mas sem resultados significativos. "A estratégia atual não está funcionando. Precisamos de uma abordagem que inclua desenvolvimento social e oportunidades para os jovens", disse Garzón.
Impacto econômico e social
A violência não apenas alimenta o tráfico de drogas, mas também afeta a economia local. O comércio em Culiacán caiu 30% desde o início do conflito, e escolas permanecem fechadas em várias regiões. "A guerra entre facções está destruindo o tecido social de Sinaloa", alerta o relatório.



