O Porto de Dacar, na África, tornou-se o epicentro do comércio ilegal de barbatanas de tubarão, alimentado pela prática cruel conhecida como "finning". Nessa atividade, os tubarões são capturados, têm suas barbatanas cortadas ainda vivos e são jogados de volta ao mar, onde sufocam ou se afogam por não conseguirem nadar.
Como funciona o 'finning'
O "finning" consiste em remover as barbatanas dorsais, peitorais e caudais do tubarão enquanto o animal ainda está consciente. Em seguida, o corpo é descartado na água. Sem as barbatanas, o tubarão perde a capacidade de se locomover e de bombear água pelas brânquias, levando à morte por asfixia ou afogamento. Estima-se que até 73 milhões de tubarões são mortos anualmente para atender à demanda por barbatanas, usadas principalmente na sopa de barbatana de tubarão, uma iguaria na Ásia.
Dacar como centro do tráfico
Relatórios indicam que barcos de bandeira chinesa e taiwanesa operam ilegalmente na costa africana, especialmente na região de Dacar. Eles capturam tubarões em águas internacionais e, muitas vezes, dentro de zonas econômicas exclusivas de países africanos sem autorização. As barbatanas são processadas e exportadas para mercados como Hong Kong e China. A África Ocidental, devido à fiscalização limitada, tornou-se um ponto estratégico para essa atividade ilícita.
Impacto ecológico
Os tubarões são predadores de topo e essenciais para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. A remoção em massa de tubarões causa desequilíbrios na cadeia alimentar, levando ao aumento de espécies de presas e à degradação de recifes de coral. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), algumas populações de tubarões já diminuíram em mais de 90% em certas regiões.
Legislação insuficiente
Apesar de vários países terem proibido o "finning", a fiscalização é deficiente. Em muitos lugares, a lei exige que os tubarões sejam desembarcados com as barbatanas ainda presas ao corpo, mas a prática continua devido à falta de monitoramento. "A legislação atual não é suficiente para coibir o comércio ilegal", afirmou um representante da organização não governamental Sea Shepherd. "Precisamos de ações mais rigorosas e de cooperação internacional para proteger esses animais."
O que pode ser feito
Especialistas defendem o fortalecimento das leis de pesca, o aumento da fiscalização nos portos e a implementação de acordos internacionais, como a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (CITES), que já lista várias espécies de tubarões. Além disso, campanhas de conscientização sobre o impacto ambiental e a crueldade do "finning" podem reduzir a demanda por sopa de barbatana de tubarão.



