Surto de Ebola no Congo ultrapassa 100 mortes e 550 casos confirmados
Ebola no Congo supera 100 mortes e 550 casos

A República Democrática do Congo (RDC) informou na segunda-feira (8) que o número de mortes causadas pelo surto de Ebola ultrapassou 100 vítimas. O país enfrenta uma situação de emergência, com novos casos sendo confirmados diariamente. O último relatório divulgado aponta 550 infectados e 101 mortes.

Distribuição dos casos

Os casos de contaminação ocorrem principalmente em três províncias assoladas por conflitos armados: Ituri, Kivu do Norte e Kivu do Sul. Em relatório recente publicado nesta segunda, o governo do Congo informou 35 novos casos confirmados nas últimas 24 horas, incluindo 10 mortes. Os casos foram registrados em 17 zonas de saúde de Ituri, em sete zonas de saúde de Kivu do Norte e em uma zona de saúde de Kivu do Sul.

Desafios na resposta

A desconfiança e a resistência têm prejudicado a resposta ao surto, com relatos de ataques a equipes de sepultamento e a centros de tratamento. O mais recente desses ataques ocorreu no domingo, segundo uma fonte à agência Reuters. O alvo foi uma equipe de sepultamento que trabalhava no cemitério de Nyamurongo, em Bunia, deixando duas pessoas gravemente feridas e dois veículos danificados.

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O relatório de situação informou que a presença de grupos armados em Djugu, Irumu e Mambasa — todos em Ituri — continua a limitar o acesso humanitário em múltiplas zonas de saúde afetadas ou em risco. O documento acrescentou que Bunia, a capital de Ituri, estava relativamente calma.

Números atualizados

Mais cedo na segunda-feira, a principal agência de saúde pública da África informou que o número de casos confirmados de Ebola no Congo havia subido para 544. Os Centros Africanos de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC) registraram as mortes confirmadas por Ebola no Congo em 88. Na sexta (5), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) lançaram um plano conjunto de US$ 518 milhões (cerca de R$ 2,6 bilhões) para combater a epidemia entre junho e novembro.

"O plano concentra-se em áreas-chave: coordenação de emergência, vigilância, testes laboratoriais, prevenção e controle de infecções, assistência clínica e mobilização comunitária", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

Origem do surto

O surto foi declarado oficialmente em 15 de maio no nordeste do Congo, mas autoridades sanitárias acreditam que a rara variante Bundibugyo do vírus Ebola circulava sem detecção havia algum tempo. A doença já atingiu três províncias congolesas. O epicentro está em Ituri, responsável por cerca de 90% dos casos confirmados e 76% das mortes até sexta, segundo o Africa CDC.

O vírus também ultrapassou as fronteiras do país. Em Uganda, vizinho do Congo, foram confirmados 16 casos, incluindo uma morte. De acordo com o Africa CDC, o atual surto já supera, em número de casos, os dois episódios anteriores causados pela variante Bundibugyo, registrados em 2007 e 2012.

Falta de vacina aprovada

Um dos principais desafios para o controle da doença é a ausência de uma vacina aprovada especificamente para a cepa Bundibugyo. Especialistas avaliam a possibilidade de uso emergencial da vacina Ervebo, da farmacêutica Merck, atualmente aprovada contra a variante Zaire do Ebola e que apresentou sinais de proteção cruzada em estudos com animais. A decisão caberá aos governos do Congo e de Uganda.

Enquanto isso, a aliança internacional de vacinação Gavi informou que mantém 2 mil doses de vacinas contra Ebola no Congo caso autoridades sanitárias decidam iniciar testes ou campanhas emergenciais.

Dificuldades de financiamento

Nas últimas semanas, a OMS alertou para dificuldades de financiamento na resposta ao surto. Segundo Anne Ancia, representante da organização no Congo, a redução global de recursos para saúde afetou diretamente as operações no país. Ela citou, entre os fatores, a saída oficial dos Estados Unidos da OMS em janeiro e cortes em programas internacionais promovidos pelo governo do presidente Donald Trump.

Dados do Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) mostram que apenas 34% dos US$ 1,4 bilhão solicitados para ações humanitárias no Congo neste ano foram recebidos até agora.

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Vacinas e testes em desenvolvimento

Diante do avanço da doença, a farmacêutica Moderna anunciou nesta semana uma parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) para desenvolver uma vacina contra a variante Bundibugyo. A Cepi informou que poderá investir até US$ 50 milhões nas fases iniciais do projeto.

Também nas últimas semanas, a BioFire Defense, subsidiária da francesa bioMérieux, anunciou a ampliação da produção de um teste capaz de detectar diferentes variantes do vírus Ebola, incluindo a Bundibugyo.

Apesar do aumento dos casos confirmados, a OMS informou nesta semana que o número de casos suspeitos monitorados na África Central caiu após centenas de notificações serem descartadas. Segundo a organização, muitos pacientes investigados acabaram diagnosticados com outras doenças ou apresentavam quadros de febre sem relação com o Ebola.