A redução de orçamento e de pessoal na Autoridade de Supervisão de Angola (ASA) levantou a hipótese de uma revisão estratégica do órgão regulador. A informação foi divulgada por fontes internas, que apontam para uma diminuição de 30% nos recursos alocados para 2026.
Cortes orçamentários e impacto operacional
Segundo as fontes, o orçamento da ASA para 2026 sofreu um corte de 30% em relação ao ano anterior, o que obrigou a demissão de 15% dos funcionários. A medida gerou preocupação entre os regulados, que temem uma queda na eficiência da supervisão.
O presidente da ASA, João Silva, afirmou que “os cortes são necessários para alinhar a instituição às novas diretrizes do governo”, mas não descartou uma revisão estratégica. “Estamos avaliando todas as opções para manter a qualidade da supervisão com menos recursos”, disse Silva em comunicado interno.
Reações do setor
Associações do setor financeiro manifestaram preocupação. O presidente da Associação de Bancos de Angola, Carlos Mendes, declarou: “A supervisão eficaz é fundamental para a estabilidade do sistema financeiro. Qualquer redução na capacidade da ASA pode aumentar riscos.”
Especialistas apontam que a revisão estratégica pode incluir a terceirização de algumas funções ou a fusão com outros órgãos reguladores. No entanto, o governo ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema.
Contexto econômico
Angola enfrenta uma crise fiscal desde 2020, com queda na receita do petróleo. O governo tem implementado medidas de austeridade, que afetam diversos setores. A ASA, criada em 2015 para regular o mercado de capitais, já havia sofrido cortes em 2024, mas em menor escala.
De acordo com dados oficiais, o mercado de capitais angolano cresceu 12% em 2025, mas a incerteza regulatória pode comprometer esse avanço. A revisão estratégica da ASA é vista como um sinal de que o governo busca eficiência, mas também levanta dúvidas sobre o compromisso com a supervisão independente.



