A romã, fruta sagrada no Azerbaijão que simboliza abundância e fertilidade, está no centro de uma produção que resgata tradições antigas: o vinho de romã. A bebida, que havia sido interrompida durante o regime soviético, voltou a ganhar espaço e prestígio nos últimos anos.
O Globo Repórter visitou uma das maiores vinícolas do país, onde mais de meio milhão de garrafas são produzidas anualmente. A produção segue um processo semelhante ao do vinho de uva, mas com segredos próprios. Um deles está na variedade de romã cultivada na região, rica em antocianina, composto que dá a coloração avermelhada e traz benefícios à saúde.
Na plantação, a maioria dos trabalhadores são mulheres, que selecionam manualmente as melhores romãs com base em cor, tamanho e textura da casca. Após a colheita, as frutas seguem para a vinícola, onde um dos segredos é a retirada cuidadosa das sementes, responsáveis pelo sabor seco e adstringente.
O suco passa por fermentação de cerca de 10 dias. Como a romã tem menos açúcar que a uva, é necessário adicionar açúcar — técnica conhecida como chaptalização. Diferente dos vinhos tradicionais, o de romã não é armazenado em barris de carvalho, mas em tonéis que preservam o aroma da fruta. O vinho matura por seis a sete meses antes de estar pronto para consumo.



