No design de interiores, a diferença entre moda e tendência é crucial. Moda é rápida, transitória, desaparece em uma estação. Tendência é um movimento mais profundo, ligado a mudanças reais no comportamento humano, na tecnologia e na consciência coletiva, durando anos. Quando se investe em um lar, as escolhas precisam fazer sentido por um tempo considerável, não apenas por alguns meses. Nos últimos anos, algumas mudanças transcenderam o status de modismo e se consolidaram como tendências estruturais.
Materiais naturais envelhecem melhor
Uma das tendências mais duradouras é o retorno prioritário a materiais naturais: madeira maciça, pedra, bronze, cerâmica. Não é uma tendência nova, mas ganhou força renovada nos últimos anos por uma razão simples: esses materiais envelhecem bem. Diferente de laminados e sintéticos, que se deterioram e marcam o tempo de forma negativa, os materiais naturais desenvolvem pátina, ganham caráter e transmitem qualidade. Uma peça de madeira maciça com 20 anos aparenta dignidade; um plástico com 20 anos aparenta desgaste. Isso explica por que madeira escura, pedra natural e acabamentos em bronze voltaram ao centro das atenções. Não é estética apenas, é durabilidade real.
Design biofílico: bem-estar integrado ao projeto
O design biofílico, que integra elementos naturais ao ambiente construído, deixou de ser tendência e virou requisito. Isso significa iluminação que simula ciclos naturais, materiais que conectam com a natureza, vistas para áreas verdes e texturas orgânicas. A razão é neurobiológica: ambientes com elementos naturais impactam positivamente a saúde mental e física. Por isso, designers estão integrando isso desde o projeto inicial, não como complemento decorativo.
Minimalismo funcional: essencial bem feito
O minimalismo puro — aquele espaço vazio, sem nada — saiu de moda. Mas o minimalismo funcional permanece e ganha força. A ideia é simples: remover o supérfluo, manter apenas o essencial, mas com qualidade genuína. Móveis multifuncionais, armazenamento inteligente, cada item com propósito claro. Elegância sem ostentação.
Paletas terrosas e tons sóbrios
Cores intensas e saturadas tiveram seu momento. O que permanece são paletas terrosas, sóbrias, inspiradas na natureza: beges, ocres, verdes oliva, tons de argila. Essas cores trazem conforto visual, criam sensação de amplitude e, diferente das cores trend, não envelhecem mal. Uma parede em ocre continua adequada em 10 anos; uma parede em cor trend pode parecer datada em 2.
Conforto e calor humano
Depois de anos de designs frios e minimalistas, há um retorno consciente ao aconchego. Texturas ricas, materiais que convidam ao toque, detalhes artesanais, iluminação que aquece visualmente. Isso não é nostalgia. É reconhecimento de que ambientes precisam promover bem-estar emocional além da funcionalidade. Calor não é sentimental, é biológico.
Personalização intencional
Uma das tendências mais profundas é o reconhecimento de que cada pessoa vive diferente. Por isso, o design personalizado ganha força. Não aquela personalização superficial, mas aquela que reconhece como alguém realmente usa um espaço. Giulia Barsotti, arquiteta responsável pelo acompanhamento de personalização de projetos da Dreamis, explica: "Tendências de design são úteis como referência, mas o que realmente dura é aquilo que funciona para a vida específica de cada pessoa. Quando trabalhamos a personalização, consideramos não apenas como o cliente quer que o apartamento pareça, mas como ele realmente vive. As plantas flexíveis permitem essas adaptações, mas a personalização vai além: é reconhecer que cada morador tem prioridades diferentes. O resultado é um interior que envelhecerá bem porque foi pensado com propósito, não apenas seguindo modelos prontos."
O Tauá: exemplo de tendências duradouras
O Tauá, lançado em dezembro de 2025 no Juvevê pela Dreamis Incorporadora, exemplifica como essas tendências duradouras se materializam em projeto. Com plantas flexíveis que permitem diferentes configurações e um programa de personalização acompanhado por arquitetura, o empreendimento reconhece que as tendências que realmente importam são aquelas que servem à vida específica de quem vai habitar o espaço.



