Um erro recorrente nas organizações é promover colaboradores com base apenas no desempenho técnico ou na antiguidade, ignorando competências comportamentais essenciais para a liderança. Segundo um estudo da Harvard Business Review, 80% dos profissionais acreditam que as promoções em suas empresas são injustas ou mal direcionadas, gerando desmotivação e turnover.
Por que o talento errado é promovido?
Muitas empresas carecem de critérios objetivos para ascensão. O viés de afinidade, a pressão por resultados de curto prazo e a falta de avaliação de soft skills levam à escolha de candidatos que se destacam individualmente, mas não têm perfil para gerenciar equipes. "Promover o talento errado é o erro mais caro que uma empresa pode cometer", afirma o consultor de RH João Silva, autor do livro Liderança fora da caixa.
Além disso, a ausência de um processo estruturado de sucessão faz com que decisões sejam tomadas no impulso, sem considerar o impacto na cultura organizacional. Um funcionário que era excelente em sua função técnica pode fracassar como gestor, afetando todo o time.
Consequências para a empresa e os colaboradores
As consequências são graves. A produtividade da equipe cai, o clima organizacional se deteriora e a taxa de rotatividade aumenta. O estudo da Harvard mostra que times liderados por gestores inadequados têm 50% mais chances de perder talentos-chave. A empresa gasta recursos com novas contratações e treinamentos, enquanto a moral dos funcionários restantes despenca.
Para o profissional promovido, a situação também é negativa. Ele pode se sentir sobrecarregado, incapaz de atender às demandas da nova função, e muitas vezes abandona o cargo em até seis meses. Esse ciclo vicioso prejudica a retenção de talentos e a competitividade da organização.
Como evitar a promoção equivocada
Para evitar esse erro, é fundamental adotar um processo de promoção baseado em competências, não apenas em resultados. Avaliações 360 graus, testes de perfil e entrevistas comportamentais ajudam a identificar quem realmente tem potencial para liderar. "É melhor deixar uma posição vaga por mais tempo do que preenchê-la com a pessoa errada", reforça Silva.
Treinamentos preparatórios para liderança, como programas de mentoria e coaching, também são eficazes. Empresas que investem em desenvolvimento de carreira reduzem em 30% as chances de promover o candidato inadequado, segundo dados da consultoria Deloitte.
O papel do RH e da alta gestão
O setor de RH deve atuar como guardião do processo, garantindo que as decisões sejam transparentes e alinhadas aos valores da empresa. A alta gestão precisa dar o exemplo, promovendo uma cultura de meritocracia e feedback constante. "Promover o talento certo não é apenas uma questão de justiça, mas de estratégia de negócios", conclui o consultor.



