Mandato de CEO encolhe e primeiros anos se tornam decisivos para sucesso
Mandato de CEO encolhe e primeiros anos decisivos

A média de mandato dos CEOs no Brasil encolheu para 4,5 anos, segundo levantamento da consultoria Spencer Stuart. O número representa uma queda de 30% em relação a uma década atrás, quando a permanência média era de 6,5 anos. A pressão por resultados imediatos e a atuação mais incisiva de conselhos de administração e investidores estão entre as principais causas do fenômeno.

Primeiros anos definem trajetória

Pesquisas indicam que os primeiros 100 dias são determinantes para o futuro do executivo. “O primeiro ano é o momento de estabelecer credibilidade, montar a equipe certa e definir a estratégia”, afirma José Silva, sócio da Spencer Stuart. “Quem não consegue mostrar avanços concretos nesse período corre sério risco de não completar o mandato.” De acordo com o estudo, 60% dos CEOs que deixaram o cargo antes de três anos não haviam apresentado resultados significativos nos primeiros seis meses.

Pressão de investidores e conselhos

O encurtamento dos mandatos é impulsionado por uma governança mais rigorosa e pelo ativismo de acionistas. Os conselhos hoje são mais cobrados para avaliar desempenho e agir rapidamente em caso de insatisfação. “Antes, um CEO tinha cinco anos para mostrar resultados. Agora, se não entrega no primeiro ou segundo ano, o conselho já começa a buscar alternativas”, afirma Maria Oliveira, professora de governança da FGV.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Além disso, a volatilidade econômica e as transformações tecnológicas aceleram a necessidade de adaptação. Empresas que passam por reestruturação ou crise tendem a trocar de líder com mais frequência. O estudo mostra que, em setores como tecnologia e varejo, a rotatividade de CEOs é 40% maior que a média geral.

Impacto na carreira dos executivos

Para os CEOs, o cenário exige maior preparação e agilidade. “O executivo precisa chegar já sabendo o que fará nos primeiros dias. Não há tempo para um longo período de adaptação”, diz Silva. As habilidades de comunicação e gestão de crise se tornaram essenciais, assim como a capacidade de construir relacionamentos rapidamente com stakeholders.

Outro dado relevante é que a remuneração dos CEOs passou a ter uma parcela maior atrelada a metas de curto prazo. Segundo a Spencer Stuart, os bônus baseados em desempenho anual já representam 70% da remuneração variável, contra 50% em 2010. Isso reforça a ênfase em resultados imediatos.

Mercado brasileiro segue tendência global

O Brasil acompanha uma tendência internacional. Nos Estados Unidos, o mandato médio dos CEOs também caiu, de 7,2 anos em 2013 para 5,8 anos em 2023. Na Europa, a média é de 6,1 anos. “A diferença é que aqui a pressão por resultados é ainda maior devido à instabilidade econômica e às altas taxas de juros”, explica Oliveira.

Especialistas recomendam que os executivos invistam em um “plano de 100 dias” e realizem um diagnóstico rápido da empresa antes de assumir. “O CEO que não se prepara para esse enxugamento de prazo tende a fracassar”, conclui Silva.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar