Gooning: o que é a prática de adiar o orgasmo e seus riscos
Gooning: adiar o orgasmo e seus riscos à saúde sexual

Se você acha que a internet já inventou nome para tudo, prepare-se para conhecer o gooning. A palavra ficou popular nas redes sociais e descreve longas sessões de excitação sexual, geralmente acompanhadas de masturbação e do adiamento repetido do orgasmo. Em outras palavras: a pessoa chega muito perto do clímax, diminui ou interrompe o estímulo, espera a excitação baixar um pouco e recomeça.

Diferença entre gooning e edging

A técnica básica não é exatamente nova. Durante muitos anos ela foi chamada de edging, palavra derivada de edge, que significa “beirada”. A pessoa fica na beirada do orgasmo, mas não se joga imediatamente. No livro A Conquista do Prazer Masculino, há inclusive uma prática semelhante, para aumentar o controle e diminuir a incidência da ejaculação precoce. No gooning, porém, a experiência costuma ser mais prolongada e pode envolver fantasias, vídeos eróticos ou pornografia durante bastante tempo. Algumas pessoas descrevem uma sensação de desligamento do mundo, como se entrassem em um estado de transe erótico.

Prazer ou problema?

Até aí, cada um sabe onde aperta o próprio botão. O problema aparece quando uma brincadeira prazerosa começa a consumir horas, interferir na rotina ou depender de estímulos cada vez mais intensos. Adiar o orgasmo pode aumentar o prazer? Para algumas pessoas, sim. Interromper a estimulação pouco antes do orgasmo pode aumentar a percepção das sensações e tornar o clímax mais intenso. Também pode ajudar homens que desejam conhecer melhor o momento que antecede a ejaculação. Entre casais, a prática pode criar expectativa e prolongar as carícias. É como deixar o bolo mais alguns minutos no forno, desde que ninguém se esqueça dele e o deixe estorricar — em outras palavras, deixar passar muito tempo e o que era expectativa de prazer vire dormência nos órgãos genitais (sim, isso pode acontecer).

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Claro que retirar a pressa do encontro pode melhorar a comunicação. Um parceiro aprende a observar a respiração, os movimentos e as reações do outro. Mas não existe garantia de um orgasmo espetacular. Algumas pessoas ficam cansadas, perdem a excitação ou terminam a experiência frustradas. O corpo não lê manual de tendências.

Quando a prática começa a preocupar

Não há um número oficial de minutos que separe o prazer saudável do exagero. A principal medida é observar a si mesmo. E vamos combinar que se a pessoa passa horas consumindo pornografia, deixa compromissos de lado ou prefere a prática a qualquer contato afetivo, vale acender um sinal de atenção. Também é importante perceber se o conteúdo utilizado precisa ficar cada vez mais intenso para produzir o mesmo efeito.

Sessões muito prolongadas podem provocar irritação, inchaço, sensibilidade excessiva e pequenas lesões causadas pelo atrito. Dormência e dor são avisos para interromper a atividade, não desafios para provar resistência. Outro risco é condicionar a excitação a uma combinação muito específica de imagens, pressão e velocidade. Depois, durante uma relação com outra pessoa, o corpo pode ter dificuldade para responder, porque o parceiro humano não possui botão de avançar, vinte abas abertas e nem controle remoto.

Não é preciso demonizar a masturbação ou a pornografia. O ponto é perceber quem está no comando. Você escolhe a prática ou sente que não consegue mais evitá-la? O prazer deve ampliar a vida, não engolir o relógio, o sono, o trabalho e os relacionamentos.

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Algumas dicas

  • Use lubrificante para reduzir o atrito.
  • Faça pausas e não ignore dor ou dormência.
  • Evite transformar sessões muito longas em rotina obrigatória.
  • Experimente fantasiar sem depender sempre de pornografia.
  • Observe se a prática está prejudicando sono, trabalho ou relacionamento.
  • Se houver perda de controle, culpa intensa ou sofrimento, converse com um psicólogo ou terapeuta sexual.