O consultor e escritor Pedro Ribeiro desmistificou a chamada “cultura da correria” durante palestra realizada no Rio de Janeiro, na última quinta-feira (5). Para ele, a busca incessante por produtividade tem gerado ansiedade e esgotamento, sem necessariamente trazer melhores resultados.
O mito da produtividade contínua
Ribeiro argumenta que trabalhar sem pausas não é sinônimo de eficiência. “Estudos mostram que o cérebro humano precisa de intervalos regulares para manter a concentração e a criatividade. A cultura da correria nos faz acreditar que parar é perda de tempo, quando na verdade é investimento”, afirmou o especialista, que é autor do livro “O Poder da Pausa”.
Segundo dados apresentados por ele, uma pesquisa da Universidade de Illinois indica que pausas curtas de 5 a 10 minutos a cada hora de trabalho podem aumentar a produtividade em até 20%. O consultor destacou que empresas que adotam horários flexíveis e incentivam descansos têm menor rotatividade e maior satisfação dos funcionários.
Sinais de alerta
Ribeiro listou sinais de que a correria virou um problema: dificuldade para dormir, irritabilidade constante, sensação de nunca estar à altura das demandas e dores de cabeça frequentes. “Se você se identifica com ao menos três desses sintomas, é hora de repensar sua rotina”, alertou.
A palestra, promovida pelo movimento “Vida Leve”, teve como público profissionais de diversas áreas. A organizadora, Carla Mendes, disse que a iniciativa surgiu da necessidade de discutir saúde mental no ambiente corporativo. “Muitos colegas estavam no limite. Queremos oferecer ferramentas práticas para mudar essa realidade”, explicou.
Dicas práticas para desacelerar
O especialista sugeriu três ações imediatas: estabelecer limites claros entre trabalho e lazer, praticar a respiração consciente por dois minutos ao longo do dia e substituir a multitarefa pelo foco em uma atividade de cada vez. “A multitarefa é uma ilusão. O cérebro alterna rapidamente entre tarefas, o que gasta mais energia e reduz a qualidade do que fazemos”, completou.
Ribeiro também recomendou a técnica Pomodoro, que alterna 25 minutos de trabalho focado com 5 minutos de pausa. Segundo ele, a adoção desse método por uma startup paulista reduziu em 30% o nível de estresse dos colaboradores em três meses.
Impacto na carreira e na vida pessoal
A mudança de mentalidade proposta por Ribeiro não beneficia apenas a saúde, mas também a carreira. “Profissionais que sabem desacelerar tomam decisões mais acertadas, têm mais criatividade e constroem relacionamentos mais saudáveis”, afirmou. Ele citou o caso de uma executiva que, ao reduzir a jornada de 12 para 8 horas diárias, viu sua equipe dobrar a produtividade em seis meses.
A palestra encerrou com um exercício coletivo de meditação guiada. Participantes relataram sensação de alívio e disposição para implementar as mudanças. “Saio daqui com a certeza de que posso ser mais produtivo sem me destruir”, disse o analista de sistemas Lucas Andrade.



