O ex-jogador Romário voltou a fazer duras críticas à comissão técnica da seleção brasileira. Em um artigo contundente, ele afirmou que o ciclo do treinador italiano com a equipe nacional precisa terminar imediatamente. A manifestação ocorre depois da eliminação precoce na Copa do Mundo e em meio à pressão popular sobre o desempenho da equipe.
“Já deu pro Mister”
“Não tem papo atravessado comigo, e vou dar a real do que eu penso logo na lata: pra mim, já deu pro Mister na seleção”, escreveu Romário, em tom direto. Para o ex-atacante, a decepção com a campanha foi enorme. Ele lembrou que o Brasil caiu nas oitavas de final, terminou na 11ª colocação e repetiu o resultado de 1966, a segunda pior posição da história em Copas do Mundo.
“A decepção nessa Copa foi muito grande. Contratamos um dos treinadores com mais cartaz no mundo. Uma grife”, reforçou.
O maior salário da Copa e o resultado pífio
Romário destacou que o treinador recebeu o maior salário entre todos os comandantes da Copa do Mundo: cerca de R$ 60 milhões por ano. Na avaliação dele, o investimento não se refletiu em campo. “Como toda grife, bem cara! Quase R$ 60 milhões por ano para sermos eliminados nas oitavas de final e ficarmos em 11º lugar”, disparou.
O ex-jogador também voltou a questionar a decisão da CBF de renovar o contrato do profissional antes do início do torneio. Para ele, o treinador “entrou tranquilo demais” e isso comprometeu a postura do grupo ao longo da competição.
CBF errou ao renovar antes da Copa
“Como já falei algumas vezes, acho que a CBF errou muito ao renovar o contrato do treinador antes de a Copa começar”, afirmou. Romário entende que a renovação precoce tirou a pressão sobre o técnico e contribuiu para o que ele classificou como acomodação.
Após as férias, o treinador concedeu entrevista e afirmou que fará uma renovação na seleção brasileira. A declaração, no entanto, não convenceu o ídolo. “Só agora?”, ironizou.
Erros de escalação e falta de alternativa
Romário diz que não tem nada pessoal contra o italiano. “Ele parece ser um cara educado, de boa índole. Os jogadores falam bem dele. Mas na seleção foi uma merda, simples assim”, escreveu. Para ele, futebol é resultado, e a análise do desempenho não deixa margem para defesa.
O ex-jogador listou uma série de problemas na Copa. “Errou muito na Copa, não só contra a Noruega. Escalou mal, fez alterações muito ruins durante os jogos, não levou lateral-direito reserva nem mesmo quando Wesley se machucou”, enumerou. Ele ainda criticou a ausência de jogadores que pudessem dar alternativas ao time.
Endrick e Rayan foram usados como tapa-buraco
Outra crítica central é o aproveitamento dos jovens. Na entrevista, o treinador disse que montou o time com base nas características dos jogadores disponíveis. Romário rebateu: “O treinador de uma seleção como a brasileira tem que saber tirar o melhor dos seus atletas, ser criativo, ousar”.
Segundo ele, “tem algum técnico no mundo com mais opções de jogadores de bom nível do que o do Brasil?”. Nomes como Endrick e Rayan foram cotados como apostas para renovação, mas, na visão de Romário, não foram aproveitados como deveriam. “Serviram como tapa-buraco, substituindo jogadores machucados ou no decorrer dos jogos”, disse.
“Aqui é Brasil, porra”
Para o ex-jogador, o treinador chegou com fama e prestígio internacionais, além de um contrato milionário, mas não fez nada além do básico. “E, mesmo no simples, errou feio”, comentou. Na avaliação dele, depois de uma eliminação tão dolorosa, o técnico não deveria continuar.
“Se é o técnico que temos, muita coisa vai ter que mudar”, reconheceu. Ele pede uma aposta real na renovação e nos jovens, sem abrir mão da identidade do futebol brasileiro. “O mais importante é respeitar a nossa história e o nosso jeito de jogar. Material para trabalhar não vai faltar. Aqui é Brasil, porra!”, concluiu.



