Critérios extracampo na escolha de árbitros
A escolha de árbitros para partidas da Copa do Mundo não obedece apenas a critérios técnicos e esportivos. Questões geopolíticas também pesam na decisão da FIFA, especialmente quando envolvem seleções com históricos de conflitos. Um exemplo emblemático é a relação entre Inglaterra e Argentina: desde a Guerra das Malvinas, em 1982, árbitros ingleses e argentinos são evitados em jogos que oponham as duas seleções.
Conflito das Malvinas ainda ecoa
O conflito armado entre Argentina e Reino Unido pela soberania das Ilhas Malvinas (Falklands, para os britânicos) deixou marcas profundas. Embora a guerra tenha durado apenas 74 dias, as tensões diplomáticas persistem até hoje. A FIFA, para evitar qualquer tipo de polêmica ou questionamento sobre imparcialidade, prefere não escalar árbitros dessas nacionalidades para partidas entre os dois países. A medida vale tanto para jogos da Inglaterra contra a Argentina quanto para o inverso.
Precedentes históricos
O episódio mais lembrado envolvendo arbitragem e rivalidade entre as duas seleções ocorreu na Copa do Mundo de 1986, no México. Naquela ocasião, o argentino Diego Maradona marcou o famoso gol com a mão, que ficou conhecido como 'Mão de Deus'. O árbitro da partida, o tunisiano Ali Bin Nasser, não validou o toque ilegal, e a Argentina venceu a Inglaterra por 2 a 1. Desde então, a FIFA passou a adotar critérios mais rigorosos para evitar conflitos de interesse.
Impacto na Copa do Mundo de 2026
Na Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México, a regra não escrita continua valendo. Caso Inglaterra e Argentina venham a se enfrentar, a FIFA já tem um protocolo para selecionar árbitros de países neutros, preferencialmente sem qualquer vínculo histórico ou político com as duas nações. A medida busca garantir a lisura da competição e evitar que eventos extracampo influenciem o resultado das partidas.



