Usiminas (USIM5) cai 23% em 30 dias; BBI corta preço-alvo para R$ 8,50
Usiminas cai 23% em 30 dias; BBI corta preço-alvo para R$ 8,50

As ações da Usiminas (USIM5) passam por um período de correção após terem sido a maior alta do Ibovespa por boa parte do ano. Os papéis acumulam queda superior a 23% nos últimos 30 dias, embora ainda apresentem valorização de cerca de 38% em 2026.

Bradesco BBI reduz preço-alvo e mantém recomendação neutra

Na avaliação do Bradesco BBI, a siderúrgica se beneficiou da melhora observada no mercado de aço nos últimos trimestres, mas o cenário para a segunda metade do ano se mostra mais desafiador. Segundo o banco, a combinação de custos mais elevados e menor capacidade de repasse de preços tende a pressionar as margens da siderúrgica. Além disso, o aumento das importações continua representando um fator de preocupação para a indústria doméstica, reduzindo a visibilidade sobre a evolução dos resultados.

Diante desse cenário, o BBI entende que a relação entre risco e retorno das ações está mais equilibrada neste momento e não enxerga gatilhos claros para uma reprecificação relevante dos papéis no curto prazo. Com isso, o banco manteve recomendação neutra para a Usiminas, mas reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,00 para R$ 8,50 ao final deste ano.

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Goldman Sachs mantém compra, mas também corta preço-alvo

O Goldman Sachs, por sua vez, manteve recomendação de compra para a companhia, destacando sua elevada alavancagem operacional em um mercado doméstico de aço plano mais apertado. O banco, no entanto, reduziu o preço-alvo das ações de R$ 10,50 para R$ 10,00.

Estimativas revisadas para Usiminas

O Bradesco BBI revisou para baixo suas projeções para a Usiminas. O banco passou a estimar receita líquida de R$ 23,97 bilhões em 2026, R$ 24,68 bilhões em 2027 e R$ 25,98 bilhões em 2028, abaixo das projeções anteriores de R$ 24,24 bilhões, R$ 25,06 bilhões e R$ 26,24 bilhões, respectivamente.

Para o Ebitda ajustado, o BBI agora projeta R$ 2,41 bilhões em 2026, R$ 2,85 bilhões em 2027 e R$ 3,51 bilhões em 2028, ante estimativas anteriores de R$ 2,87 bilhões, R$ 3,28 bilhões e R$ 3,94 bilhões. A revisão também levou a uma redução das expectativas de margem Ebitda ajustada, que passou de 11,9% para 10,0% em 2026, de 13,1% para 11,5% em 2027 e de 15,0% para 13,5% em 2028.

Em relação ao lucro líquido, o banco prevê que a companhia registre prejuízo de R$ 3,08 bilhões em 2025 e, posteriormente, lucro de R$ 1,35 bilhão em 2026, R$ 1,01 bilhão em 2027 e R$ 1,53 bilhão em 2028, abaixo das projeções anteriores, que indicavam lucros de R$ 1,63 bilhão, R$ 1,32 bilhão e R$ 1,83 bilhão, respectivamente.

O Goldman Sachs também revisou suas estimativas, elevando em 2% a projeção de Ebitda para 2026, mas reduzindo as previsões para 2027 e 2028 em 7% e 3%, respectivamente, diante da expectativa de custos mais elevados nos negócios de aço e mineração. Para o segundo trimestre de 2026, o banco projeta Ebitda de R$ 668 milhões e lucro líquido de R$ 316 milhões, ambos ligeiramente acima das estimativas anteriores.

XP Investimentos vê margens em recuperação

A XP Investimentos projeta que a margem da Usiminas, que ficou próxima de 4% no quarto trimestre de 2025, avance para níveis de dois dígitos ao longo de 2026 e 2027, sustentada pela melhora do ambiente para o setor siderúrgico no Brasil. Além disso, a XP destaca que uma eventual aprovação de medidas antidumping sobre as importações de bobinas a quente poderia representar um fator adicional de alta para os lucros e para as ações em 2027. Parte desse benefício, no entanto, pode ser compensada pelo aumento dos custos.

Apesar de considerar a Usiminas uma das teses mais robustas de recuperação de resultados no setor, a XP Investimentos ressalta que a companhia ainda deve apresentar geração de caixa limitada. A XP estima um fluxo de caixa livre (FCF yield) de cerca de 5% em 2027 e 2028, refletindo um ciclo de investimentos mais intensivo em capital, mesmo diante da esperada melhora do Ebitda e das margens.

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Gerdau, CSN e CSN Mineração: recomendações do Goldman Sachs

O Goldman Sachs reiterou sua preferência por Ternium e Gerdau, citando a exposição de ambas a mercados mais resilientes e protegidos da América do Norte, especialmente México e Estados Unidos. Por outro lado, o banco reiterou recomendação de venda para CSN e CSN Mineração (CMIN3). No caso da CSN, a recomendação reflete a contínua pressão sobre a geração de caixa livre e o balanço patrimonial. Já para a CSN Mineração, a preocupação está relacionada à deterioração da rentabilidade do minério de ferro, diante do aumento dos custos de frete e da ampliação dos descontos aplicados ao minério de menor teor.

Cenário do aço: preços se acomodam

Após uma tendência de alta nos preços domésticos do aço no Brasil, os sinais mais recentes apontam para uma acomodação dos preços, com o terceiro reajuste planejado para o aço plano não sendo implementado e a tentativa de aumento dos preços do aço longo sendo apenas parcialmente efetivada. Segundo o Goldman Sachs, o suporte aos preços veio da combinação entre medidas de proteção comercial e aumento de custos. No entanto, compras antecipadas, excesso de estoques na cadeia de distribuição, alívio nos custos e demanda final mais fraca limitaram novas altas.

O banco acredita que a continuidade do baixo volume de importações observado desde o primeiro trimestre deve apertar ainda mais o mercado no fim de 2026. De acordo com verificações junto ao setor, importadores permanecem céticos em relação à realização de novos pedidos diante das incertezas macroeconômicas, cambiais e tarifárias. Por outro lado, o Goldman destaca que as importações provenientes do Vietnã apresentaram níveis elevados em junho, tendência que merece monitoramento.