Um vídeo que mostra dezenas de barcos de turistas cercando uma onça-pintada que descansava tranquilamente sobre um tronco às margens do rio, em Porto Jofre, no Pantanal, viralizou nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites do turismo de observação de vida selvagem.
Registro mostra disputa por ângulos
As imagens, publicadas pelo guia Redouane Lachgar, mostram o felino imóvel sobre um tronco, enquanto uma multidão de visitantes em dezenas de embarcações disputa o melhor ângulo para fotografar e filmar o animal. A cena, que ocorreu em plena luz do dia, destaca a enorme popularidade da região para a observação de onças-pintadas em seu habitat natural.
Segundo Lachgar, a presença de tantos barcos é reflexo do crescimento do ecoturismo no Pantanal, que atrai visitantes do mundo inteiro interessados em avistar o maior felino das Américas. No entanto, o guia ressalta que a atividade precisa ser feita com responsabilidade para não estressar os animais.
Turismo responsável versus superlotação
“Quando feito com responsabilidade, o turismo contribui para a economia local e a conservação ambiental”, afirmou Lachgar, destacando que a renda gerada pelo turismo de observação ajuda a financiar projetos de proteção da onça-pintada e de seu habitat. Porém, a cena de dezenas de barcos aglomerados em torno de um único animal levanta preocupações entre especialistas.
Biólogos e ambientalistas alertam que a aproximação excessiva pode causar estresse nos felinos, alterar seus padrões de comportamento e até afastá-los de áreas tradicionalmente usadas para alimentação e reprodução. A superlotação de embarcações também aumenta o risco de acidentes e poluição sonora e visual.
Porto Jofre: capital da onça-pintada
Porto Jofre, localizado no município de Poconé (MT), é considerado um dos melhores lugares do mundo para avistar onças-pintadas na natureza. A região, que fica às margens do Rio Cuiabá, recebe milhares de turistas todos os anos, especialmente durante a estação seca, quando os animais se concentram próximos aos cursos d'água.
O vídeo viral, que já acumula milhares de visualizações e compartilhamentos, reacendeu o debate sobre a necessidade de regulamentação mais rigorosa para o turismo de observação no Pantanal. Atualmente, não há limite oficial para o número de barcos que podem se aproximar de um mesmo animal, e as regras de distanciamento mínimo são baseadas em códigos de conduta voluntários.
Impacto na conservação
A onça-pintada é um símbolo do Pantanal e uma espécie-chave para o equilíbrio do ecossistema. Estima-se que a região abrigue a maior população remanescente do felino nas Américas, com cerca de 4 mil a 7 mil indivíduos. O turismo de observação, quando bem manejado, pode ser uma ferramenta poderosa de conservação, ao gerar valor econômico para a preservação da espécie.
No entanto, o episódio registrado em Porto Jofre serve como alerta para a necessidade de equilibrar o interesse dos visitantes com o bem-estar dos animais. Especialistas defendem a adoção de limites máximos de embarcações por avistamento, a criação de zonas de exclusão e a capacitação obrigatória de guias e condutores.
Enquanto isso, o vídeo continua a circular, provocando reações diversas: de admiração pela beleza da onça-pintada a críticas pela aglomeração de turistas. O debate sobre o futuro do turismo no Pantanal está longe de terminar.



