IA na música: 32,5% dos músicos usam ferramenta para inspiração criativa
IA na música: 32,5% dos músicos usam ferramenta para inspiração

Um estudo inédito do Berklee College of Music, uma das instituições mais respeitadas do mundo na área musical, revela que 32,5% dos músicos já utilizam inteligência artificial (IA) como ferramenta de inspiração durante o processo criativo. A pesquisa, que ouviu mais de 1.500 profissionais da música, mostra que a IA é empregada principalmente para gerar ideias iniciais, melodias ou faixas de referência, que posteriormente são retrabalhadas pelos artistas.

IA como ferramenta de prototipagem criativa

De acordo com o levantamento, a inteligência artificial não substitui a criatividade humana, mas atua como uma espécie de “rascunho” ou protótipo. “A IA é uma ferramenta de prototipagem. Ela ajuda a quebrar o bloqueio criativo e a explorar possibilidades que talvez não ocorreriam naturalmente”, afirma o Dr. Carlos Gomes, coordenador do estudo no Berklee College of Music. Os músicos utilizam a tecnologia para criar bases rítmicas, progressões harmônicas e até mesmo letras, que depois são editadas e personalizadas.

Mixagem lidera uso, mas confiança ainda é baixa

O estudo também aponta que a mixagem é a etapa em que os músicos mais recorrem à IA: 45% dos entrevistados afirmam usar ferramentas de IA para auxiliar na equalização, compressão e outros ajustes técnicos. No entanto, a confiança na tecnologia ainda é moderada. Apenas 23% dos músicos disseram confiar plenamente nos resultados gerados por IA, enquanto a maioria prefere revisar e ajustar manualmente as sugestões da ferramenta.

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Preocupações éticas e pedagógicas

Apesar dos benefícios, a pesquisa levanta questões éticas e pedagógicas. Muitos educadores musicais temem que o uso excessivo da IA possa prejudicar o aprendizado de fundamentos musicais, como teoria e composição. “Há o risco de os alunos pularem etapas essenciais do desenvolvimento criativo”, alerta o Dr. Gomes. Além disso, a geração de letras por IA levanta dúvidas sobre autoria e originalidade. “Quando uma IA escreve uma letra, de quem é a obra? Do programador, do usuário ou da máquina?”, questiona.

O futuro da IA na música

O estudo conclui que a IA veio para ficar, mas seu papel deve ser complementar. “A tecnologia não substitui a emoção e a intenção humana, mas pode ampliar as possibilidades criativas”, resume o pesquisador. A expectativa é que, com o tempo, a confiança na IA aumente, especialmente se as ferramentas se tornarem mais transparentes e adaptáveis às necessidades individuais dos artistas.

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