Uma empreendedora de Goiás transformou a paixão por cavalos em um negócio itinerante que fatura, em média, R$ 60 mil por mês. Maria Jordana, natural de Catalão (GO), começou vendendo pulseiras de miçangas na infância para juntar dinheiro e comprar seu primeiro cavalo. Hoje, ela realiza imersões de equitação em parceria com centros equestres de todo o Brasil, combinando técnicas de montaria, manejo animal e desenvolvimento pessoal.
Da venda de pulseiras ao primeiro cavalo
Ainda criança, Maria Jordana ouviu dos pais que, para ter um cavalo, precisaria economizar. Com uma caixa de miçangas e linha de anzol, começou a produzir pulseiras para vender. Anos depois, o sonho se concretizou quando ganhou seu primeiro animal, o Silver. Contudo, ao decidir competir na modalidade de três tambores, precisou vender o cavalo para adquirir uma égua adequada às competições. A decisão foi difícil, mas marcou uma filosofia que ela carrega até hoje. Anos mais tarde, com estabilidade financeira, conseguiu recomprar Silver e trazê-lo de volta.
Desafios da escola de equitação e um grave acidente
Com um investimento inicial de R$ 4 mil, valor acumulado durante um estágio, Jordana abriu uma escola de equitação em Catalão. O começo foi repleto de desafios: ela precisou aprender na prática conceitos de gestão, como precificação e administração financeira, e em vários momentos cobrava abaixo do valor justo para conquistar clientes, comprometendo a rentabilidade. A virada veio após um grave acidente. Durante um treinamento, um cavalo caiu sobre ela, causando uma fratura no quadril. O período de recuperação, que incluiu cadeira de rodas e meses de fisioterapia, tornou-se um momento de reflexão. Enquanto estava afastada, começou a desenhar em um caderno o futuro da empresa. Ao voltar a caminhar, colocou em prática os planos para estruturar melhor a escola e investir na profissionalização do negócio.
Formação e especialização no método horsemanship
A formação em Gestão de Empresas ajudou a consolidar esse processo. Paralelamente, Jordana buscou especializações na área equestre, incluindo cursos de gestão de centros equestres e estudos sobre horsemanship – método que busca compreender o comportamento dos cavalos e fortalecer a relação entre animal e cavaleiro sem usar técnicas coercitivas.
O ponto de virada para o modelo itinerante
Com o crescimento da escola, alunos de diferentes cidades passaram a procurá-la. O ponto de virada ocorreu quando uma cliente do Mato Grosso a convidou para ministrar um curso a mais de 1.400 quilômetros de distância. A experiência deu certo. O curso foi divulgado nas redes sociais e novas oportunidades surgiram em outros estados. Aos poucos, Jordana percebeu que poderia ampliar seu alcance transformando a escola física em uma operação itinerante.
Hoje, ela realiza imersões em parceria com centros equestres espalhados pelo Brasil. Os cursos, que duram três dias e custam entre R$ 1,5 mil e R$ 3 mil, combinam aulas práticas, manejo dos animais, técnicas de equitação e atividades voltadas ao desenvolvimento pessoal. Entre os formatos oferecidos, um dos mais procurados é o "Só Para Elas", programa voltado exclusivamente ao público feminino.
Empoderamento feminino e desenvolvimento pessoal com cavalos
A proposta vai além do aprendizado técnico. As participantes encontram nos cavalos uma ferramenta para trabalhar liderança, confiança, autoconhecimento e superação de desafios pessoais. Os encontros costumam reunir mulheres de diferentes perfis, incluindo empresárias, executivas e profissionais em busca de novas experiências. Muitas relatam que as vivências com os animais ajudam a desenvolver competências que também são aplicadas no ambiente corporativo. Para Jordana, esse é justamente o diferencial do negócio. Mais do que ensinar a montar ou conduzir um cavalo, ela busca criar conexões capazes de gerar transformações duradouras.
O legado além dos números
Hoje, ao olhar para a própria trajetória, a empreendedora vê a realização de um sonho começado na infância. E acredita que o verdadeiro legado do negócio não está apenas nos números, mas no impacto que consegue deixar na vida das pessoas. “Você precisa ter visão, ação e propósito. Ver uma oportunidade, agir para fazê-la acontecer e entender por que está fazendo aquilo. É isso que sustenta um negócio no longo prazo”, afirma Jordana.



