O setor logístico brasileiro enfrenta um gargalo crítico: a falta de mão de obra qualificada, que dificulta a adoção de tecnologias como automação e inteligência artificial. O tema foi debatido durante o Logistics Summit 2026, organizado pelo Beedoo em São Paulo, com a participação de executivos de Azul Linhas Aéreas — Cargas, Martin Brower, Casas Bahia Full, Epson do Brasil e SGT Log.
Escassez de profissionais qualificados
Pedro Paulo Castro, diretor de operações da Martin Brower, destacou que a falta de profissionais capacitados é um dos principais entraves para a eficiência logística. "Precisamos de pessoas que entendam de tecnologia, mas também de processos logísticos. É um desafio encontrar esse perfil no mercado", afirmou. Segundo ele, a empresa tem investido em programas de treinamento interno para suprir essa demanda.
Automação e IA como solução
Para Carlos Eduardo de Oliveira, gerente de logística da Casas Bahia Full, a automação é uma resposta à escassez de mão de obra. "A tecnologia não substitui o trabalhador, mas permite que ele seja mais produtivo. Precisamos de pessoas preparadas para operar esses sistemas", explicou. Ele citou que a empresa já implementou robôs em centros de distribuição, mas enfrenta dificuldades para encontrar técnicos especializados.
Já representantes da Epson do Brasil e SGT Log concordaram que a inteligência artificial pode otimizar rotas e prever demandas, mas a falta de profissionais com habilidades em análise de dados limita o avanço. "A IA exige curadoria de dados e tomada de decisão humana. Sem capital humano qualificado, a tecnologia não gera resultados", disse o diretor de operações da Epson.
Capacitação como prioridade
O diretor de cargas da Azul Linhas Aéreas, Marcelo Bento, enfatizou que a capacitação deve ser uma prioridade para o setor. "Estamos investindo em parcerias com escolas técnicas e universidades para formar profissionais alinhados às necessidades do mercado", afirmou. Ele também mencionou que a empresa utiliza simuladores para treinar equipes em operações aéreas de carga.
O evento, que reuniu mais de 500 participantes, apontou que a logística brasileira precisa de um esforço conjunto entre empresas, governo e instituições de ensino para superar o déficit de profissionais. Segundo dados apresentados, o setor deve crescer 3,5% ao ano até 2030, mas a falta de mão de obra pode frear esse avanço.



