Esqueça um MBA de seis dígitos — o caminho até o comando de uma empresa pode começar com uma certificação para operar empilhadeiras. Pelo menos foi esse o percurso de Ron Vachris, CEO da rede de supermercados atacadistas e clube de compras Costco.
Hoje, ele lidera uma das maiores e mais admiradas empresas do mundo, com um pacote de remuneração avaliado em quase US$ 14 milhões. Mas Vachris nunca teve como objetivo alcançar a sala da presidência. Em vez disso, construiu sua carreira passo a passo, guiado pelos conselhos de seu pai, que trabalhava na manutenção de redes elétricas.
O conselho do pai
“Eu gostaria de ter tido, nos anos 1980, a visão do que este setor e esta empresa poderiam se tornar”, disse Vachris no mês passado, durante um evento do Economic Club of Chicago. “Mas isso confirma o que meu pai dizia: encontre uma empresa que represente os valores que você quer defender, e o resto depende de você.”
A lição de seu pai era simples: “Não corra atrás de cargos. Não corra atrás de nada grandioso. Apenas construa seu próprio sucesso.” Vachris levou o conselho a sério. Após concluir o ensino médio no início dos anos 1980, ingressou no Glendale Community College, no Arizona, onde estudava administração enquanto trabalhava meio período como operador de empilhadeira na Price Club, rede de atacarejo que mais tarde se fundiria com a Costco em 1993. Pouco tempo depois, foi promovido a gerente assistente de depósito — e nunca mais voltou a pensar em concluir uma graduação.
Ascensão constante
A ascensão continuou de forma constante, incluindo promoções para vice-presidente regional em 1999, diretor de operações em 2016 e CEO em 2024. Foi uma trajetória tão improvável que até o próprio Vachris tem dificuldade em acreditar nela.
“Se me perguntassem há dez anos se eu estaria sentado aqui hoje, eu diria que duvidaria muito”, afirmou.
Mas sua trajetória de quatro décadas teve como base outra mensagem simples de seu pai: “Aceite o pior cargo em uma grande empresa, e o resto depende de você.”
Líderes da Walmart, Nike e GM também começaram em cargos básicos
Chegar à alta direção de uma empresa pode parecer uma escalada impossível. Mas Vachris não é o único executivo a provar que ocupar a sala da presidência nem sempre exige trocar constantemente de emprego ou seguir um plano de carreira perfeitamente traçado.
Alguns dos maiores líderes corporativos dos Estados Unidos — incluindo os CEOs de Walmart, Nike e General Motors — começaram em cargos de entrada e chegaram ao topo após décadas na mesma empresa.
Nike: Elliott Hill
Na Nike, o CEO Elliott Hill iniciou sua carreira em 1988 como estagiário de vendas na área de vestuário. Ao longo de mais de três décadas, ocupou posições de liderança na Europa e na América do Norte, chegando a comandar as operações voltadas aos consumidores e ao mercado antes de ser escolhido CEO em 2024.
General Motors: Mary Barra
De forma semelhante, Mary Barra teve apenas uma empresa em seu currículo: a General Motors. Ela começou nos anos 1980 como estudante em um programa de cooperação entre universidade e empresa no General Motors Institute (atual Kettering University), trabalhando na linha de montagem como inspetora de qualidade da divisão Pontiac. Seu primeiro cargo em tempo integral foi como engenheira elétrica. Mais tarde, tornou-se gerente da fábrica de montagem Detroit-Hamtramck da GM e avançou gradualmente pelos cargos executivos. Em 2014, foi nomeada CEO.
Barra já afirmou que ter crescido no ambiente industrial foi fundamental para sua liderança, pois lhe deu conhecimento direto sobre como cada etapa do processo produtivo influencia o resultado final.
Walmart: John Furner e Doug McMillon
Enquanto isso, John Furner, presidente e CEO do Walmart, começou sua trajetória como funcionário por hora em um centro de jardinagem. Seu antecessor, Doug McMillon, seguiu um caminho igualmente modesto: começou descarregando caminhões em um centro de distribuição da Walmart antes de assumir o principal cargo da empresa.
Assim como Vachris, McMillon atribuiu sua ascensão não à busca por promoções, mas à preparação silenciosa para quando elas surgissem.
“Uma das razões pelas quais recebi as oportunidades que tive foi que eu me oferecia para assumir responsabilidades quando meu chefe estava viajando ou visitando lojas, por exemplo”, relembrou certa vez em entrevista ao Stratechery.
“Com isso, eu me colocava em uma situação em que minha promoção representava pouco risco, porque as pessoas já tinham me visto desempenhando a função.”
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