Ações de tecnologia despencam pelo mundo; entenda motivos
Ações de tecnologia despencam; veja por quê

As ações de tecnologia estão sofrendo uma forte liquidação global nesta terça-feira, com investidores preocupados com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) manter juros altos por mais tempo e com os gastos crescentes em inteligência artificial (IA). O movimento atinge desde gigantes americanas como Apple, Microsoft e Nvidia até empresas brasileiras do setor.

Queda generalizada nos EUA

O índice Nasdaq, referência em tecnologia, recuava mais de 2% no início da tarde, puxado por perdas expressivas de ações como Nvidia (-4,5%), AMD (-3,8%) e Meta (-2,9%). O S&P 500 também caía, enquanto o Dow Jones operava estável. O movimento reflete a leitura de que o mercado pode estar superaquecido após meses de alta impulsionada pela euforia com IA.

Segundo analistas, os comentários recentes de dirigentes do Fed indicam que o ciclo de cortes de juros pode demorar mais do que o esperado. "O mercado está reavaliando as expectativas de queda de juros, e isso afeta diretamente as empresas de tecnologia, que dependem de fluxo de caixa futuro", afirma Carlos Vaz, economista da XP.

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Impacto no Brasil

No Brasil, o Ibovespa também opera em baixa, influenciado pelo exterior e pela aversão a risco. A ata do Copom divulgada hoje reforçou a visão de que o Banco Central vê custo elevado para levar a inflação à meta já em 2027, o que pode manter a Selic alta por mais tempo. O dólar subia 0,8%, cotado a R$ 5,65.

Entre as ações brasileiras, as de tecnologia sofrem com a pressão externa. Locaweb recuava 3,2%, e Totvs caía 2,5%. "O movimento é global, mas aqui também pesa a percepção de juros altos por mais tempo", diz Vaz.

Setor de IA sob escrutínio

Outro fator que pesa sobre o setor é o questionamento sobre os altos investimentos em inteligência artificial. Empresas como Google e Microsoft têm destinado bilhões de dólares ao desenvolvimento de IA, mas o retorno ainda é incerto. Jeff Bezos, fundador da Amazon, afirmou recentemente que a IA vai criar mais empregos, e não menos, mas o mercado parece cauteloso.

"Há uma preocupação de que os gastos com IA não se justifiquem no curto prazo, e isso pode levar a uma correção nas ações", explica Vaz. A Nvidia, que mais se beneficiou da corrida por chips de IA, já acumula queda de 15% no mês.

O que esperar?

Para os próximos dias, o mercado segue atento aos dados de inflação nos EUA e a novos pronunciamentos do Fed. Se os juros continuarem altos, a liquidação pode se aprofundar. No Brasil, a ata do Copom sinaliza que a Selic deve permanecer em 14,25% ao ano por mais tempo, o que também pressiona a bolsa.

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