A Amil pode mudar de dono novamente. Dois dos maiores fundos de participação do mundo, as americanas Advent International e Bain Capital, apresentaram uma proposta para comprar toda a operadora de saúde, segundo fontes. O negócio, se evoluir, pode movimentar cerca de R$ 10 bilhões.
Negociações em andamento
Os fundos negociam diretamente com o empresário José Seripieri Filho, conhecido como Junior, há alguns meses. Segundo as fontes, o empresário teria interesse em vender ao menos parte da operadora. No entanto, a venda do controle é mais complexa, pois ele é reticente em se desfazer de toda a companhia, de acordo com um interlocutor. Uma das alternativas, diz uma fonte, seria ter um sócio de peso para acelerar o crescimento e, futuramente, preparar o grupo para retornar à Bolsa. Pelo porte e bom desempenho recente, a Amil é apontada como forte candidata a abrir capital na B3. A empresa já foi listada no passado, após IPO em 2007, sob o comando da família Godoy Bueno.
Namoro antigo e recuperação
O interesse da Bain na Amil é antigo. A gestora já havia tentado comprar a companhia sozinha, mas as conversas não avançaram, levando-a a se unir à Advent. O grupo inglês busca trazer a equipe que comandava a Notredame Intermedica, que se fundiu com a Hapvida. O CEO da empresa na gestão da Bain era Irlau Machado Filho, apontado como nome forte para a gestão em um eventual negócio.
A Amil encerrou 2025 como um dos principais casos de recuperação do setor de planos de saúde. Sob o comando de José Seripieri Júnior, que recomprou a operadora da UnitedHealth em 2023, a empresa voltou a crescer acima da média do mercado, superou 6 milhões de beneficiários e fechou o ano com receitas superiores a R$ 30 bilhões.
Estratégia de reestruturação
A recuperação foi impulsionada por uma ampla reestruturação. A companhia simplificou o portfólio de produtos, ganhou agilidade, reajustou preços, reduziu a sinistralidade, reforçou o relacionamento com hospitais e médicos e reposicionou a marca, resgatando sua identidade brasileira. A estratégia focou nos mercados do Sudeste, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, responsáveis pela maior parte da expansão da base de clientes.
Na avaliação de analistas, a empresa transformou, em pouco mais de dois anos, uma operação considerada estagnada durante o controle da multinacional americana em uma das que mais crescem no setor, apoiada na força da marca, na rede própria de atendimento e na oferta de planos regionais mais competitivos.
Histórico de transações
A Amil foi vendida pela primeira vez em 2012 para a UnitedHealth, por R$ 10 bilhões. A operadora americana não conseguiu tocar o negócio no Brasil. Junior comprou a companhia no final de 2023 em um negócio de R$ 11 bilhões, dos quais R$ 9 bilhões eram dívidas e passivos.
Procurados, Advent e Bain não comentaram. A Amil afirmou que não comenta especulações de mercado.



