Com a Copa do Mundo de 2026 se aproximando, os torcedores cariocas enfrentam um dilema: torcer para jogadores revelados por clubes rivais que vestem a camisa da seleção brasileira. O GLOBO foi às ruas do Rio de Janeiro para ouvir a opinião dos fãs sobre essa questão que mistura rivalidade clubística e patriotismo.
Rivalidade deixada de lado em prol da seleção
Para muitos torcedores, a Copa é um momento de união nacional, onde as paixões clubísticas devem ficar em segundo plano. Braz, torcedor do Flamengo, afirma: "Na seleção, esqueço a rivalidade. Quero ver o Brasil campeão, independentemente de onde os jogadores foram formados." Luiz, vascaíno, concorda: "É hora de torcer pelo país. O importante é a vitória do Brasil."
Essa visão é compartilhada por grande parte dos entrevistados, que veem na seleção a oportunidade de celebrar o futebol brasileiro como um todo. A pesquisa informal realizada pelo jornal mostra que 7 em cada 10 torcedores cariocas deixam a rivalidade de lado quando o assunto é a Copa do Mundo.
Jogadores revelados no Rio em destaque na seleção
A edição de 2026 da Copa conta com um número expressivo de atletas que foram revelados ou têm forte identificação com clubes cariocas. Entre eles, nomes como João Pedro (ex-Fluminense), Matheus Cunha (ex-Flamengo) e Lucas Paquetá (ex-Flamengo) são alguns dos destaques. A presença desses jogadores acirra ainda mais a discussão entre os torcedores sobre até onde vai a lealdade clubística.
Segundo dados da CBF, cerca de 40% dos convocados para a seleção brasileira em 2026 têm origem ou passagem por clubes do Rio de Janeiro. Isso reforça a importância do futebol carioca na formação de atletas de alto nível.
Torcedores mais jovens tendem a superar rivalidades
Entre os torcedores mais jovens, a tendência é de uma rivalidade mais amena. Pedro, de 22 anos, torcedor do Botafogo, diz: "Meu pai não torceria por um jogador do Flamengo nem na seleção. Mas eu cresci vendo a seleção como algo maior. Hoje, vibro com os gols de qualquer brasileiro."
Essa mudança geracional pode indicar um futuro onde a rivalidade clubística perde força em competições de seleções. No entanto, torcedores mais antigos ainda mantêm ressalvas. Seu Jorge, de 65 anos, flamenguista roxo, admite: "É difícil torcer por um ex-jogador do Vasco, mas se ele estiver ajudando o Brasil, eu torço, sim. O Brasil vem em primeiro lugar."
Impacto nas arquibancadas dos estádios
A expectativa é que, durante os jogos da seleção, as arquibancadas dos estádios cariocas estejam pintadas de verde e amarelo, sem divisões clubísticas. O sentimento de união prevalece, como explica o sociólogo esportivo Carlos Alberto: "A Copa do Mundo é o único momento em que o torcedor brasileiro consegue colocar o amor ao país acima das paixões locais. É um fenômeno único no mundo."
Para os cariocas, a Copa de 2026 será mais uma oportunidade de demonstrar que, apesar das rivalidades acirradas nos clássicos, a seleção brasileira é capaz de unir todos em torno de um objetivo comum: o hexacampeonato.



