A Ponte Preta vive uma temporada em que até os raros sinais de esperança terminam em frustração. Na derrota por 3 a 2 para o Operário-PR, na noite de quarta-feira, em Ponta Grossa, a Macaca talvez tenha feito sua melhor atuação ofensiva nas últimas rodadas. Liderou o placar duas vezes, criou oportunidades, teve Elvis em noite inspirada e viu Brandão marcar seus dois primeiros gols pelo clube. Nada disso foi suficiente.
Oitava derrota consecutiva e recorde histórico
As falhas defensivas voltaram a aparecer nos momentos decisivos, a equipe sofreu a virada nos minutos finais e chegou à oitava derrota consecutiva na Série B. Como consequência, encerrou o primeiro turno com um recorde que nenhum clube gostaria de ter: 15 derrotas em 19 rodadas, a pior marca da história da competição neste formato. O retrato da Ponte atual talvez esteja justamente aí. Quando parece surgir um motivo para acreditar, alguma coisa acontece para colocar tudo a perder.
Ataque finalmente responde, mas defesa compromete
Contra o Operário, o ataque finalmente ofereceu respostas. Elvis voltou a comandar o setor ofensivo com personalidade. Acertou a trave em cobrança de falta, distribuiu o jogo mesmo em um gramado pesado pela chuva e participou diretamente dos dois gols de Brandão. O centroavante, por sua vez, viveu sua noite mais produtiva desde que chegou ao clube e parecia ganhar a confiança que tanto buscava. Mas a defesa continua transformando qualquer evolução em detalhe.
Erros individuais custam caro
No primeiro gol do Operário, Lucas Cunha se atrapalhou com o gramado molhado e entregou a bola para Pablo empatar a partida. Na segunda etapa, depois de Brandão recolocar a Ponte em vantagem, o sistema defensivo voltou a falhar. Mesmo cercado por cinco marcadores alvinegros dentro da área, Berto apareceu livre para deixar tudo igual. Como se não bastasse, o próprio Brandão, protagonista da noite até então, foi expulso em uma jogada infantil poucos minutos depois. Com um jogador a menos, a Ponte perdeu força para controlar a partida e viu Caio Dantas aproveitar mais uma sequência de erros defensivos para marcar o gol da vitória do Operário aos 45 minutos do segundo tempo.
Impressão contraditória e ciclo vicioso
A impressão deixada é contraditória. Ofensivamente, a Ponte mostrou mais repertório do que em derrotas recentes para Criciúma, Goiás e outros adversários. Houve criação, competitividade e volume suficiente para imaginar um resultado diferente. Defensivamente, porém, nada mudou. Lucas Cunha, Márcio Silva e Sergio Palacios seguem alternando falhas individuais que custam caro rodada após rodada. Quando um setor dá sinais de evolução, o outro impede qualquer reação. É justamente essa incapacidade de sustentar pequenos avanços que ajuda a explicar por que a Ponte venceu apenas três das 29 partidas disputadas na temporada e caminha para um cenário cada vez mais dramático.
Missão quase impossível no segundo turno
Matematicamente, escapar do rebaixamento ainda é possível. Na prática, porém, a missão exige uma campanha de campeão no segundo turno - algo que o desempenho apresentado até aqui não permite imaginar. O futebol já mostrou inúmeras histórias improváveis. Mas ele também costuma ser implacável com equipes que repetem os mesmos erros semana após semana. Hoje, a Ponte parece presa exatamente nesse ciclo. Quando finalmente encontra um motivo para acreditar, tudo volta a dar errado.



