A Fifa planeja criar uma empresa para gerenciar seus direitos comerciais e operacionais, o que pode levar a um boicote das seleções europeias na Copa do Mundo de 2030. Segundo a Sky Sports, a Uefa estuda não participar do torneio caso o plano siga adiante.
Entenda o plano da Fifa
A entidade máxima do futebol pretende vender participações minoritárias por meio de um novo programa de negócios avaliado em cerca de R$ 102,5 bilhões. Seria criado o grupo Fifa Forward Enterprise (FFE), que consolidaria eventos e operações, mas a governança permaneceria sob controle da Fifa.
Para aprovar o plano, a Fifa oferece US$ 10 bilhões (cerca de R$ 51 bilhões) para suas 211 federações nacionais. Além disso, um montante opcional de US$ 20 milhões (R$ 102,3 milhões) seria destinado a cada associação para projetos especiais do Programa Fifa Fast-Forward (FFFP).
Investimentos futuros
No planejamento divulgado, cada federação receberia US$ 20 milhões no ciclo 2027-2030 (ante US$ 8 milhões atuais). Nos ciclos seguintes, os valores seriam de US$ 22 milhões (2031-2034) e US$ 24 milhões (2035-2038).
A Fifa informa que, se criada, a FFE captaria US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões) ainda este ano para financiar o FFFP. A entidade fala em “seleção criteriosa de investidores” de longo prazo, que teriam participações minoritárias, sem domínio sobre a FFE. Os lucros líquidos seriam investidos no desenvolvimento do futebol mundial.
Reação da Uefa
A Uefa manifestou-se contra o plano, afirmando que ele “cruza linhas que nunca deveriam ser cruzadas” e que negocia pontos do esporte que deveriam ser inegociáveis. “Isso cruza uma linha que as instituições governamentais do futebol nunca deveriam cruzar”, declarou a entidade europeia. “A Uefa leva isso extremamente a sério. Toda Associação Nacional de Futebol também deveria e todo stakeholder também: ligas, clubes, jogadores, torcedores, governos e todos que se importam com o futuro do esporte”.
“A alma e governança do futebol não são ativos para negociar, especialmente com zero transparência quanto a quem ganha financeiramente. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo”, completou a Uefa.
Possível boicote
O boicote será discutido em reunião virtual prevista para esta semana, antes da Fifa confirmar ou não a criação do programa. A Copa de 2030 será sediada conjuntamente por Espanha, Portugal e Marrocos. Caso a Uefa realmente boicote, o torneio pode ter menos seleções europeias, impactando o formato tradicional da competição.



