Neymar não participará dos amistosos da Seleção Brasileira antes da Copa do Mundo. O atacante, convocado para o torneio, passou por novos exames nesta segunda-feira (8) para tratar uma lesão de grau 2 na panturrilha. De acordo com nota oficial da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), divulgada pelo ge, o jogador apresenta "boa evolução", mas ainda não há previsão para seu retorno aos gramados.
O que é uma lesão de grau 2?
A lesão de grau 2 ocorre quando há ruptura parcial das fibras musculares. Considerada de gravidade moderada, provoca perda parcial de força e função. "Nesses casos, significa que houve uma ruptura parcial das fibras do músculo. Não é apenas uma sobrecarga ou inflamação leve. Existe realmente um rompimento de parte da musculatura", explica Eduardo Ramalho, médico ortopedista e especialista em trauma do esporte.
Os músculos do corpo humano são formados por milhares de fibras que funcionam como pequenos cabos elásticos. Quando a carga aplicada ultrapassa a capacidade de suporte, algumas fibras se rompem, causando a lesão. Mário Lenza, médico ortopedista do Einstein Hospital Israelita, acrescenta que em esforços intensos — como arrancadas, mudanças rápidas de direção ou excesso de carga — as fibras podem não suportar a tensão. "No esporte de alto rendimento, esse risco aumenta bastante por causa da sequência de jogos, desgaste físico acumulado, fadiga muscular, pouco tempo de recuperação e histórico de lesões anteriores", comenta.
Níveis de lesões musculares
As lesões musculares são divididas em três graus:
- Grau 1: pequeno estiramento, com inchaço e sensibilidade, sem prejuízo no movimento.
- Grau 2: ruptura parcial das fibras, com dor moderada e perda parcial de força e função.
- Grau 3: ruptura completa do músculo ou separação do tendão, com perda quase total da função.
"Apesar de não ser a forma mais grave, uma lesão grau 2 merece bastante atenção, principalmente em um atleta de alta performance como Neymar, porque a panturrilha é muito exigida no futebol", afirma Ramalho.
Sinais e sintomas
Os sintomas variam conforme a gravidade e podem incluir:
- Dor ou sensibilidade
- Vermelhidão ou hematomas
- Limitação de movimento
- Espasmos musculares
- Inchaço
- Fraqueza muscular
Tratamento e tempo de recuperação
O tratamento inicial foca no controle da dor, inflamação e edema. Em seguida, inicia-se a recuperação funcional com fisioterapia, fortalecimento e recondicionamento físico. "Na panturrilha, existe um cuidado muito grande porque é uma região com alto índice de recidiva. O jogador pode melhorar da dor relativamente rápido, mas o músculo demora mais para recuperar a capacidade de suportar cargas explosivas", alerta Ramalho.
O tempo de recuperação varia entre quatro e oito semanas, dependendo da extensão e localização da ruptura. O retorno precoce é arriscado: "O maior risco é a recidiva. Quando o músculo ainda não recuperou totalmente sua resistência, fica vulnerável a uma nova ruptura, muitas vezes mais grave", reforça o ortopedista.
Edema indicava possível lesão
Na semana anterior, o diagnóstico de edema na panturrilha já indicava que Neymar poderia ficar fora dos amistosos até a Copa. O edema muscular é um inchaço por acúmulo de líquidos, geralmente causado por pancadas ou estiramento das fibras. "Muitas vezes, o edema é o primeiro sinal de sofrimento do músculo, mostrando que aquela região já estava inflamando e trabalhando perto do limite", detalha Ramalho.
Neymar sentiu a panturrilha no confronto do Santos contra o Coritiba, no dia 17 de maio.
Retorno de Neymar
Quando a lesão foi confirmada, em 28 de maio, o médico da CBF, Rodrigo Lasmar, disse que a previsão é de liberação em duas a três semanas. Assim, Neymar perdeu os amistosos contra Panamá e Egito. Caso a previsão mais otimista se confirme, ele ficará à disposição dois dias antes da estreia na Copa. Se o prazo se estender, pode perder o primeiro jogo do mundial.
Ramalho pontua que, teoricamente, uma lesão grau 2 pode permitir recuperação a tempo, especialmente com a estrutura médica disponível. "Mas tudo depende da cicatrização muscular e da capacidade de retorno em alta intensidade sem risco de nova lesão", conclui.



