Laira Soares da Silva, de 10 anos, nasceu com ausência parcial dos membros inferiores, condição descoberta pela mãe, Roselaine Soares, apenas no momento do parto. “O médico mostrou primeiro as pernas dela, e ficamos em estado de choque”, recorda Roselaine. A família, moradora de Alto Alegre, no Noroeste do Rio Grande do Sul, enfrentou a apreensão inicial e, com o tempo, transformou o susto em aprendizado.
Rotina ativa e descoberta do karatê
Hoje, a rotina de Laira é descrita pela mãe como comum: ela assiste a desenhos, brinca e leva uma vida ativa. “Uma criança forte e feliz”, resume Roselaine. Foi na escola que Laira teve contato com o karatê, por meio de um projeto educacional que passou a fazer parte do dia a dia da estudante, com treinos semanais ao lado dos colegas. Para Laira, a prática vai além da atividade física: o karatê representa “alegria e diversão”.
Projeto esportivo municipal
O projeto esportivo de Alto Alegre começou a partir da iniciativa de uma mãe e educadora, que levou a proposta à prefeitura após conhecer os benefícios da arte marcial para crianças e adolescentes. A ideia foi acolhida pela Secretaria de Educação e Cultura e saiu do papel em agosto de 2025. Atualmente, a iniciativa atende alunos da rede pública e da educação infantil.
Entre os participantes, Laira chama atenção pelo empenho. Mesmo com a deficiência física, a menina se destaca pela dedicação nas aulas. Segundo a mãe, não foi necessária nenhuma adaptação para a participação dela nas aulas. O projeto informa que um dos principais desafios de Laira ainda é o equilíbrio, além do desconforto causado pelo contato direto com o tatame.
Transformação familiar
A convivência com a filha também transformou Roselaine: “Descobri que sou mais forte do que imaginava. Aprendi muito com ela, principalmente a não desistir dos nossos sonhos”, destaca a mãe.



