Lionel Scaloni nasceu em Rosário, Argentina, e aos 11 anos ingressou nas categorias de base do Newell’s Old Boys. Diferentemente do homônimo Lionel Messi, Scaloni construiu uma carreira modesta como jogador, mas seu destino estava reservado para os bancos de reserva como treinador. Ao lado do irmão Mauro, jogou no Newell’s, na seleção sub-20 campeã mundial em 1997 e no La Coruña, na Espanha.
Carreira discreta como jogador
Scaloni era um jogador versátil: lateral-direito de origem, atuava também como lateral-esquerdo, meia aberto pela direita num 4-4-2, zagueiro ou volante. Sua principal qualidade era a inteligência tática, aliada a força e agilidade razoáveis. Muito querido pelos companheiros, encerrou a carreira na Atalanta, em Bergamo, com apenas sete jogos pela seleção argentina principal – sem gols – e outros sete pela sub-20, com dois gols. Integrou uma geração brilhante que contava com Riquelme, mas Scaloni sempre foi discreto.
Transição para treinador e chegada à seleção
Após se aposentar em 2016, Scaloni tornou-se observador técnico. Ainda em 2016, foi convidado por Jorge Sampaoli para integrar sua comissão técnica no Sevilla, graças ao seu conhecimento do futebol espanhol. Em 2017, acompanhou Sampaoli na seleção argentina. Após a saída conturbada de Sampaoli, Scaloni permaneceu na comissão até setembro de 2018, quando foi nomeado técnico interino – mais por falta de opções do que por mérito. A Associação do Futebol Argentino (AFA) enfrentava grave crise financeira, pior que a CBF em organização e transparência, e não conseguia atrair treinadores de peso.
Resultados surpreendentes como interino
Nos amistosos iniciais, Scaloni superou as expectativas: quatro vitórias, dois empates e uma derrota para o Brasil. Após essa derrota, em 29 de novembro de 2018, o presidente da AFA, Chiqui Tapia, decidiu mantê-lo até a Copa América de 2019, no Brasil. Scaloni seguiu obtendo bons resultados. Na semifinal daquela Copa América, no Mineirão, a Argentina perdeu para o Brasil em partida com arbitragem criticada. Messi e a imprensa argentina reclamaram, mas não culparam o treinador interino. Apesar dos pedidos por um substituto, a falta de dinheiro impediu a contratação de nomes consagrados, e Scaloni permaneceu.
A consolidação e o título mundial
Scaloni foi efetivado após a Copa América de 2019. Desde então, sua única derrota significativa foi na estreia da Copa do Mundo de 2022, quando a Argentina perdeu por 2 a 1 para a Arábia Saudita. A partir daí, o time reagiu: após a vitória por 2 a 0 sobre o México, Scaloni promoveu cinco mudanças na equipe titular e não parou mais. A Argentina chegou à final contra a França, campeã mundial, em uma das partidas mais espetaculares da história, com empate em 3 a 3 e vitória nos pênaltis. Scaloni mostrou capacidade de adaptação tática, mantendo o time competitivo e dependente de Messi, mas com grande contribuição de jogadores como Julián Álvarez, Enzo Fernández e De Paul.
Legado de um interino de sucesso
Scaloni, que assumiu como interino em 7 de setembro de 2018, foi efetivado pela falta de grandes nomes dispostos a trabalhar na AFA. Ficou em terceiro lugar na Copa América de 2019 e, contra todas as probabilidades, conduziu a Argentina ao título mundial após 36 anos. Sua trajetória prova que competência, paciência e resiliência podem superar a falta de recursos. Scaloni, o outro Lionel argentino, é hoje um dos técnicos mais respeitados do futebol mundial.



