Intervalo de 28 minutos na final da Copa do Mundo gera polêmica
Intervalo de 28 min na final da Copa gera polêmica

A final da Copa do Mundo entre Argentina e Espanha ficou paralisada por quase 28 minutos entre o fim do primeiro tempo e o início da etapa final. O intervalo prolongado foi necessário para a realização do primeiro grande show musical no meio de uma decisão do Mundial, além da montagem e da retirada da estrutura instalada no gramado do Estádio de Nova York/Nova Jersey. A pausa foi quase duas vezes maior do que os 15 minutos habituais.

Regras do futebol e exceção da Fifa

A Lei 7 da International Football Association Board (Ifab), responsável pelas regras do futebol, determina que o intervalo não deve superar esse limite. O regulamento da Copa também previa 15 minutos, embora a Fifa tenha autorizado excepcionalmente a ampliação para acomodar o espetáculo. A apresentação propriamente dita durou cerca de 11 minutos. Madonna, Shakira, Justin Bieber, BTS e Burna Boy estiveram entre as atrações reunidas no palco, em um espetáculo com curadoria de Chris Martin, vocalista do Coldplay. O restante do tempo foi consumido pela entrada, montagem e retirada dos equipamentos, além da preparação do campo para o reinício da partida.

Logística e críticas

Nos dias anteriores à decisão, diferentes durações haviam sido divulgadas. Fontes ligadas às transmissões chegaram a trabalhar com a possibilidade de uma pausa de 30 minutos, enquanto a Fifa indicou posteriormente que o espetáculo teria 11 minutos. A logística, porém, levou o intervalo completo a quase 28 minutos, contado do apito que encerrou a etapa inicial até a autorização para a saída de bola no segundo tempo. A mudança foi criticada por profissionais do futebol, comentaristas e emissoras. As principais reclamações apontavam para o impacto de uma paralisação tão longa sobre o aquecimento, a concentração e a condição física dos jogadores, além do temor de que o entretenimento ganhasse prioridade sobre a decisão esportiva. Detentores de direitos de transmissão também reclamaram da demora da Fifa em definir o tamanho da pausa.

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Impacto físico nos jogadores

Especialistas alertam para os riscos físicos com o maior intervalo na final da Copa do Mundo. "Com um maior intervalo, pode haver redução da temperatura muscular, da frequência cardíaca e da ativação neuromuscular. Isso faz com que os jogadores iniciem o segundo tempo com menor capacidade para sprints, acelerações e mudanças rápidas de direção, além de maior rigidez muscular. Essa alteração pode reduzir o desempenho físico e aumentar o risco de lesões musculares", ressalta Breno Araujo, preparador físico do America-RJ. "A estratégia é transformar o intervalo em um período ativo, evitando que os jogadores permaneçam em repouso por muito tempo. Protocolos de mobilidade, ativação muscular, hidratação, reposição energética e manutenção da temperatura corporal serão fundamentais. Além disso, um aquecimento semelhante ao pré-jogo antes do retorno ao campo pode ajudar as equipes a recuperar o ritmo e obter uma vantagem competitiva."

Antecedentes e futuro do espetáculo

A experiência deu sequência ao teste realizado pela Fifa na final do Mundial de Clubes de 2025, quando a pausa chegou a aproximadamente 25 minutos. Agora, no principal jogo do futebol mundial, a entidade avançou no projeto de aproximar a decisão do modelo de espetáculo consagrado pelo Super Bowl: a bola ficou parada por quase meia hora para que o palco também fosse ocupado pela música.

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