Homem com 6 dedos e citado por Lula segue na torcida pelo hexa
Homem com 6 dedos citado por Lula busca o hexa na Copa

Quatro anos após se tornar símbolo involuntário de um dos maiores sonhos do futebol brasileiro, Josevaldo de Almeida Thomé volta a ganhar destaque. Morador de Conceição do Coité, na Bahia, ele nasceu com um dedo a mais em cada mão, o que lhe permite fazer o gesto do número seis usando apenas uma das mãos. Em 2022, durante a Copa do Mundo do Catar, sua história viralizou nas redes sociais e chegou até o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que compartilhou a notícia com uma brincadeira: “Só fui até o tetra, mas rumo ao hexa”.

Agora, com a Copa do Mundo de 2026 em andamento, Josevaldo retorna à cena carregando o apelido que ganhou dos amigos e da internet: “o homem do hexa”. “Eu me tornei o homem do hexa. O presidente fez a publicação falando que o Brasil é penta, mas eu já era hexa”, diverte-se.

Das mãos ao coração: a torcida pelo hexa

Enquanto Lula tem nove dedos nas mãos, o técnico de manutenção de equipamentos odontológicos e hospitalares possui 12: polegar, indicador, médio, anular, mínimo e o “aparecido”. A fama veio por causa das mãos, mas o desejo é o mesmo de milhões de brasileiros. Apesar de já carregar o “hexa” consigo desde o nascimento, Josevaldo afirma que ainda falta o principal: ver a Seleção Brasileira conquistar o sexto título mundial. “Eu já sou hexa, mas preciso desse título da Seleção para representar ela na Copa do Mundo. Nada melhor do que representar junto com eles”, declarou.

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Apaixonado por futebol, ele acompanha os jogos e mantém viva a esperança que atravessa gerações desde o último título mundial do Brasil, em 2002. “A Seleção Brasileira tem 24 anos lutando pelo hexa. Esse hexa é tão importante para mim quanto para todos os brasileiros. Eu tenho esse sonho de ser hexa, mas com a taça na mão”, disse.

A emoção do pentacampeonato e o desejo para as novas gerações

A emoção do pentacampeonato não é esquecida, por isso Josevaldo torce para que os mais jovens tenham a mesma oportunidade. “Eu espero que a nova geração, que tem esse sonho, consiga assistir o Brasil ser campeão. Quando assisti esse título, ficou marcado na memória. Espero que tenham essa oportunidade.” Otimista, ele acredita que desta vez o sonho pode finalmente se realizar. “Eu acredito que essa pode ser a Copa do Hexa, porque somos brasileiros e não desistimos jamais. Nós sabemos que temos que ter jogadores de qualidade. Temos que confiar.”

Convívio com a condição rara

Além da relação com o futebol, Josevaldo convive naturalmente com a condição que o tornou conhecido nacionalmente. Segundo ele, as pessoas costumam se surpreender quando veem suas mãos pela primeira vez. “Sempre que eu passo, as pessoas admiram, porque meus dedos são normais, não são atrofiados. O criador fez perfeito”, comentou.

A mãe de Josevaldo notou a anomalia congênita ao dar banho nele, quando ainda era criança. Ao levá-lo ao médico, o profissional fez um raio-x e também achou estranho. O nome do sexto dedo, “aparecido”, foi dado quando ele foi registrar um documento no Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) da região. “Quando fui tirar a identidade, foi difícil, porque o rapaz começou a colocar os dedos para marcar as digitais, e, quando chegou ao sexto, ele tomou um susto. Aí chamou um coordenador e colocou o nome de ‘aparecido’ no sexto dedo, porque precisava fazer o registro de todos”, relembra.

Em 2014, quando falou com o g1 pela primeira vez, Josevaldo informou que nunca tinha procurado saber o motivo da anomalia. A situação não mudou. O baiano também segue como o único em casa que tem dois dedos a mais nas mãos. Entre 2014 e 2026, os netos dele nasceram, com cinco dedos em cada mão. Quando começou a namorar a atual esposa, Josevaldo diz que levou um tempo até ter coragem de mostrar os dedos. Ela só observou que o amado tinha dedos a mais seis meses depois do pedido de casamento. “Ela ficou um pouco assustada, mas depois viu que era normal”, brincou.

Enquanto a Seleção segue tentando transformar o sonho coletivo em realidade, Josevaldo continua carregando um privilégio raro: ser, há muito tempo, aquilo que o Brasil inteiro ainda espera voltar a ser.

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