Quando a seleção de Carlo Ancelotti enfrentar o Haiti nesta sexta-feira (19), pela segunda rodada da Copa do Mundo de 2026, quatro jogadores do adversário terão uma conexão em comum com o Brasil. Todos passaram pela Academia Pérolas Negras, projeto social criado por brasileiros no país caribenho há mais de 20 anos.
A história do Brasil no Haiti
A relação começou em 2004. Naquele ano, após uma crise política e uma guerra civil que derrubaram o então presidente Jean-Bertrand Aristide, o Brasil assumiu o comando da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah). O país liderou a operação militar internacional até 2017. Também em 2004, a ONG Viva Rio iniciou sua atuação no território haitiano a convite da ONU. A proposta era desenvolver projetos sociais em áreas como saúde, educação e segurança pública, mas o futebol rapidamente se tornou uma das principais ferramentas de integração social.
O vínculo ganhou ainda mais força em 19 de agosto daquele ano, quando a seleção brasileira desembarcou em Porto Príncipe para disputar o chamado "Jogo da Paz". A partida reuniu milhares de pessoas nas ruas da capital haitiana e se tornou um símbolo da aproximação entre os dois países. Foi nesse contexto que surgiu a Academia Pérolas Negras.
O que é o Pérolas Negras
Criada pela Viva Rio, a Academia Pérolas Negras foi concebida para oferecer muito mais do que treinamento esportivo. Além do futebol, os jovens atendidos pelo projeto tinham acesso a educação, acompanhamento nutricional, fisioterapia e serviços de saúde. A ideia era criar oportunidades para adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Com o passar dos anos, a iniciativa expandiu suas atividades e começou a participar de competições internacionais. Em 2016, o projeto ganhou uma sede no Rio de Janeiro e passou a disputar torneios oficiais no Brasil, inicialmente com equipes compostas majoritariamente por atletas haitianos e refugiados.
O Pérolas Negras participou de duas edições da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2016 e 2017. No ano seguinte, conquistou o título da então quarta divisão do Campeonato Carioca e iniciou sua trajetória no futebol profissional brasileiro. Atualmente, disputa a Série A2 do Campeonato Carioca e mantém categorias de base filiadas à Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro.
Os quatro jogadores do Haiti formados pelo projeto
Josué Duverger
O goleiro de 25 anos é a terceira opção da seleção haitiana na Copa do Mundo e faz parte da geração que passou pelo processo de formação da Academia Pérolas Negras, ainda no Haiti.
Carlens Arcus
Aos 29 anos, o lateral-direito é um dos jogadores mais experientes do elenco haitiano e atua no futebol francês. Ele também passou pelo projeto brasileiro, também no Haiti, antes de consolidar a carreira internacional. Atualmente, defende o Angers, da França.
Danley Jean Jacques
É o caso de maior destaque. O meio-campista de 26 anos atua pelo Philadelphia Union, dos Estados Unidos, e se tornou um dos principais nomes da seleção haitiana. Antes disso, passou pela base do Pérolas Negras, no Rio de Janeiro, integrou a equipe que disputou a Copinha de 2017 e, posteriormente, construiu carreira na França, onde defendeu o Metz.
Derick Etienne
O atacante, que atua nos Estados Unidos, também teve parte de sua formação ligada ao projeto e integra a lista de jogadores que passaram pela Academia antes de chegar à seleção principal haitiana.



