O Haiti guarda lembranças de um jogo especial contra a Seleção Brasileira. Deveriam ser dias de pura tranquilidade. O Brasil tem pela frente uma das seleções mais fracas da Copa, o penúltimo no ranking da Fifa entre os participantes. Mas o Haiti não se intimidou com a grandeza da competição e perdeu só de 1 a 0 para a Escócia na estreia.
Estar na Copa do Mundo já é uma conquista quase inacreditável para um país em colapso, o mais pobre do nosso continente. Atualmente, é dominado por gangues criminosas, que vivem em guerra entre si. As forças de segurança oficiais praticamente não existem.
Jogo da Paz: Haiti guarda lembranças de partida especial contra a Seleção Brasileira
Dos 26 convocados, só um joga lá e a maioria nem nasceu no país. A seleção é uma equipe de filhos e netos de haitianos. Mesmo assim, carregam o orgulho nacional e compartilham um outro sentimento: a gratidão pelo Brasil, graças a um gesto inesquecível.
No dia 19 de agosto de 2004, a Seleção Brasileira, então campeã do mundo, desembarcou no Haiti para o chamado Jogo da Paz. “Lembro de tudo. De ir de tanque para o estádio. Chegando lá, todos nós tivemos noção de que aquilo não era só futebol, era muita coisa envolvida, e foi lindo”, conta Ronaldinho Gaúcho, campeão mundial em 2002.
Um milhão de haitianos escoltaram a Seleção do aeroporto até o estádio da capital, Porto Príncipe. “Sorrindo e chorando ao mesmo tempo. Quer uma coisa mais pura que isso?”, diz Roger Flores, ex-jogador e comentarista.
Roger Flores marcou duas vezes naquela vitória por 6 a 0
A partida teve três golaços de Ronaldinho Gaúcho. “Durante o jogo foi muito bom para mim. Saíram gols lindos e jogadas maravilhosas. Experiência maravilhosa, marcante, coisa que jamais eu vou esquecer”, afirma Ronaldinho Gaúcho.
No próximo jogo, a generosidade vai estar só na memória. Vinte e dois anos depois, o Haiti quer agradecer mostrando que estar na Copa não é nenhum favor.



