O acordo histórico entre Estados Unidos e Irã, que pôs fim a décadas de tensões no Oriente Médio, gerou reações mistas nos mercados financeiros globais e brasileiros. Enquanto o preço do petróleo Brent registrou forte queda de 4,76%, refletindo o alívio nas preocupações com o fornecimento, as bolsas mundiais mostraram otimismo cauteloso. No Brasil, o Ibovespa fechou em baixa de 0,42%, pressionado principalmente pelas ações da Petrobras, que acompanharam a desvalorização do barril.
Impacto no mercado de petróleo
A redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio foi o principal motor para a queda expressiva do petróleo Brent. Com a expectativa de que a oferta não será mais ameaçada por conflitos na região, os investidores reagiram vendendo contratos futuros. A commodity, que vinha operando em patamares elevados, caiu para o menor nível em semanas, aliviando pressões inflacionárias em diversas economias.
Reação das bolsas globais
Os principais índices acionários internacionais apresentaram alta moderada. O Dow Jones, em Nova York, subiu 0,8%, enquanto o FTSE 100, em Londres, avançou 0,6%. O otimismo foi puxado pela perspectiva de custos menores de energia e pela possibilidade de que os bancos centrais possam reduzir os juros mais rapidamente. Na Europa, o Stoxx 600 registrou ganho de 0,5%, impulsionado pelos setores de transportes e manufatura.
Brasil: Ibovespa e dólar
Apesar do cenário global favorável, o Ibovespa não conseguiu acompanhar o movimento positivo. O índice doméstico fechou em queda de 0,42%, aos 112.500 pontos. A principal razão foi o desempenho das ações da Petrobras, que recuaram 3,2% com a desvalorização do petróleo. Além disso, o mercado local segue preocupado com o aumento dos gastos públicos em ano eleitoral, o que pode dificultar a redução da taxa Selic pelo Banco Central.
O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,12, uma leve alta de 0,15% em relação ao real. A moeda americana oscilou durante o pregão, mas fechou no azul devido à percepção de risco fiscal no Brasil. Para analistas, o acordo EUA-Irã é positivo para a economia global, mas os problemas internos brasileiros continuam a pesar sobre os ativos locais.
Perspectivas para a inflação e juros
A queda do petróleo deve contribuir para a redução das pressões inflacionárias no curto prazo, especialmente nos combustíveis e no transporte. Isso abre espaço para que o Banco Central considere cortes na Selic, atualmente em 13,75% ao ano. No entanto, o cenário fiscal incerto, com promessas de aumento de gastos públicos, limita o otimismo. O mercado aguarda os próximos passos do governo e do Congresso para definir a trajetória dos juros.
Em resumo, o acordo entre EUA e Irã trouxe alívio momentâneo para os mercados, mas os desafios domésticos brasileiros mantêm a cautela entre os investidores. A combinação de petróleo mais barato e juros globais em queda pode beneficiar o Brasil, desde que haja responsabilidade fiscal.



